Dia 35 ou o dia em que organizei a festinha de despedida da minha roomate

A gente vai se adaptando, ficando mais confortável e nosso jeito de agir começa a aparecer mais, para o bom e para o ruim. Normalmente, aparece o bom antes, estou nessa fase. Organizei para a Ettie, minha roomate holandesa de 67 anos, uma festinha de despedida hoje.

Gosto de gente, de receber, de planejar e de gerenciar (não dá para mentir). Na realidade, não senti que organizei, só senti que tive a iniciativa de fazer algo para não passarmos em branco. Ok, agora que escrevi pareceu um pouco redundante, mas não vi como algo que tomei para mim a responsabilidade, os afazeres ou até a liderança.

Teve bolo de chocolate e biscoitos de tahini porque uma amiga topou fazer, eu ajudei, mas ela foi a masterchef. Participação essencial no evento. Acho que senti que, mesmo se quisesse, não conseguiria organizar um evento com algo a oferecer sozinha, senti que tudo foi compartilhado, o engajamento de todos foi essencial para ocorrer, por isso não me vi como organizadora.

Porém, durante a festinha, o pessoal, incluindo a Ettie, falou que eu fui a responsável pela organização. Achei engraçado porque é esse o papel que desempenho e já desempenhei em alguns grupos e situações. E também o papel que as vezes tento não desempenhar, tenho a tendência de assumir esse tipo de coisa mesmo não querendo muito ou não podendo. Quando outras pessoas, que acabei de conhecer, em um local onde não é meu lar de verdade, numa outra língua, me reconheceram nesse papel, de repente me deu um estalo e vi que essa é uma característica minha.

Kibbutz/sociedade alternativa no meio do deserto, com pessoas que conheci há pouco tempo, sem grandes intimidades, longas horas de trabalho, cansaço, segunda-feira à noite e eu chamando todo mundo para comparecer. Realmente gosto de um evento social e de movimentar isso. Engraçado foi que me senti indo pelas beiradas, por não estar tão à vontade assim, e, mesmo assim, fui reconhecida com o mesmo papel que desempenho com amigos-irmãos. Reflexões…

Mudei os móveis de lugar, dei uma limpada na casa, arrumei a mesa com as nossas gordices deliciosas e voilá! Foi bem tranquilo, creio que nem tinha como ser diferente, mas foi bom, a Ettie gostou muito. Ela foi quem me recebeu aqui e foi uma amiga-avó, inclusive, me lembrando muita das minhas avós viajantes. Apenas retribuí o carinho com o qual fui recebida.

O dia foi corrido, trabalhei antes do café na cozinha — que está melhorando, não sei se a equipe da cozinha ou minha sensação lá, acho que os dois — , lavei umas louças básicas por 15 minutinhos, até a reunião matinal, de lá, emendei no Café. Pudemos almoçar a equipe toda junta por um bom período do almoço, o que é algo muito raro e super bom. O turno que era para acabar às 16h, foi até às 16h30, estava agoniada porque tinha combinado de fazer o bolo e os biscoitos, mas deu tudo certo! Só a correria mesmo de chegar e organizar as coisas, mas essa correria eu gosto! Correria de lavar louça ou cortar pepino já não é minha praia…

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