Dia 36 ou o dia que minha lombar gritou

Eu e minha lombar às vezes temos uma relação conflituosa. Na verdade, ela só me diz o óbvio: olha para mim, olha para o seu corpo. O trabalho aqui é complicado para a postura e para o corpo, muitas funções são um prato cheio para LER, a exemplo da área de laticínios e processamento de comida, é o mesmo movimento o dia todo. Lavar louça também não é nada bom, e eu faço muito. Resultado é que minha lombar hoje apitou.

Frio, poucas horas de sono e um dia longo não ajudaram. Comecei o dia já sentindo ela na cozinha, mas foi uma boa manhã lá, mais relaxado. A equipe da cozinha hoje antes do café estava gigante, num nível que a líder da cozinha se espantou. Não necessitavam de tantas pessoas. Já pensei logo que podiam ter me liberado, hehe. Vontades à parte, realmente não precisavam de tantas pessoas, isso me fez ter a sensação de que há um movimento de não deixar que alguns tenham menos trabalho ocasionalmente. Eu claramente poderia ter começado só no Café às 13h, mas aí teria a manhã toda livre, o que não vejo acontecer sem motivo por aqui. Já tive essa sensação algumas vezes aqui, mas mais pontuais, com pessoas específicas, que parecem não conseguir ver alguém sem trabalhar 2min que já sentem um tremilique. Talvez pudessem pensar em um sistema de rodízio e dias tranquilos e não de alocação de pessoas mesmo sem tanta necessidade.

Tive uma pausa grande para pegar o turno de 13h às 19h no Café, porém, aproveitei esse tempo para fazer faxina, principalmente no meu novo quarto. Me mudei para o quarto da Ettie e agora eu e a Anna, minha roomate que permaneceu na casa, temos quartos individuais. Neot Semadar like a boss! Ou seja, saí da cozinha para faxina, lavei lençóis e tudo mais, mal acabei e já estava na hora do meu outro turno. Resultado: lombar gritou.

O lado positivo é que o Café estava bem vazio e todo mundo foi bem solidário. Fiz as coisas devagar e quis ficar até o final. Talvez devesse ter saído antes, mas não gosto muito dessa sensação, parece que às vezes tenho que ir até o limite mesmo para aceitar parar. Quebrei um copo de graça na bandeja, porque, às vezes, para ter equilíbrio, temos que dar uma mexidinha, balançar um pouco, mas não deu, estava meio rígida e o copo foi ao invés da coluna. Estou falando de um copo, mas esse exemplo serve como figura de linguagem: equilíbrio envolve se mexer também.

Voltei ao Kibbutz super cansada, passei no varal para pegar os lençóis e toalhas, arrumei a cama e nem saí para jantar. Aí um dos pontos positivos de ter tido uma festinha aqui: sobra de comida gostosa! E de trabalhar no Café, né, passo o dia beliscando.

Foi um dia fisicamente desgastante onde o corpo pediu arrego e muito alongamento. Confesso minha indisciplina com alongamento e exercício físico aqui, o que não é legal, mas é especialmente difícil para mim manter um ritmo de atividade física quando trabalho o dia todo com o corpo e está frio. Terei que me esforçar, os sinais estão mais que claros. Incrível como os sinais muitas vezes estão na nossa frente e parece que eles têm que gritar para darmos atenção. Mais uma figura de linguagem, JucaViaja definitivamente tem também seu significado não literal.

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