Dia 4 ou o dia em que me senti parte

Hoje foi um bom dia, sem montanha russa sentimental, foi o primeiro dia em que me senti aqui mesmo, como pertencente à comunidade e não tanto uma extraterrestre.

Comecei o dia trabalhando na Pundak — que é tipo um café em hebraico — , o Kibbutz possui esse café onde vende seus produtos e tira renda para se manter. Cada coisa incrível e tudo feito aqui! Ainda não conhecia nem metade, até creme tem! O lugar é lindo e tomei um super café da manhã, com direito a um capuccino delicioso, queijo de cabra e manteiga de alho! Luxo total.

Às sextas, por ser shabbat, além do expediente ser mais curto, há uma hora onde é todxs trabalham para a estética do Kibbutz. Meu trabalho foi ajeitar as garrafas de plásticos e de vidro num canto bonitinho para a reciclagem e varrer.

Depois ajudei a implantar o sistema de irrigação por gotejamento no cemitério. Eu sei, nem me falem, quando ouvi cemitério já achei foda, pensei que eles devem dar uma primeira semana de trote, não é possível. Mas o lugar é bem lindo, com uma vista incrível, não é pesado e só tem duas sepulturas. É um jardim. Só sei que precisamos levar irrigação por gotejamento no Brasil, ainda mais em tempos de crise hídrica. Foi bem legal, não só a atividade como a interação com as pessoas. Além disso, foi interessante ver como o sistema é bem simples: é só colocar a mangueira passando pelas árvores, fazer dois furos perto de cada árvore e colocar o artefato que controla as gotas em cima do furo. Um computador controla o fluxo de água através de um programa tranquilo e acessível.

Após todas as atividades, o grupo que estava trabalhando se junta para conversar sobre a vida e também é um espaço para falar daquele momento, daquela atividade, do que sentiu ao desempenhá-la e por aí vai. A roda de hoje do grupo da irrigação foi ótima, todos super gente boas.

Por ser shabbat, o almoço foi mais cedo (amém), pois as atividades se encerram também mais cedo, é o dia de descanso. O shabbat começa quando aparece a primeira estrela no céu, é quando anoitece, que é também quando muda o dia segundo o judaísmo. Acabei não encerrando as atividades mais cedo, pois após o almoço estava na equipe que lava louça.

E vocês acham que o trabalho acabou? Nãaaaaao! Hoje também foi dia de fazer faxina em casa. Nada de dia de descanso para mim.

No jantar de shabbat há uma apresentação do coral do Kibbutz, podemos conversar na mesa e as crianças também estão presentes. O refeitório está mais enfeitado, a comida é ainda mais gostosa (a comida aqui é bem boa, à exceção do café da manhã para mim, pois é salada e não esto habituada), tem chalé (um pão típico do shabbat), vinho e sobremesa. Pura ostentação!

Aqui em Israel, o final de semana é o shabbat. O shabbat começa sexta ao anoitecer, mas na prática é logo antes ou logo após o almoço e vai até sábado ao anoitecer. É um momento onde muitas coisas do país param, mesmo, até ônibus e trem. Porém, domingo é dia útil. O final de semana é mais curto, dura um dia e meio.

Em Neot Semadar, há descanso aos sábados, mas não para todos e nem sempre, ainda há funções que são necessárias, como a cozinha (sempre a cozinha). No entanto, amanhã estarei livre! Ainda bem, preciso descansar, os primeiros dias de adaptação à uma rotina pesada de trabalhos manuais e a acordar de madrugada não são fáceis.

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