Dia 45 ou último dia de trabalho

Meu horário de trabalho hoje estava punk. Prêmio de último dia. Na verdade, quem fez o horário não foi a pessoa de sempre. A de sempre, a Carmela, é bem atenciosa e sabe do contexto de cada um. Estava na agricultura antes do café da manhã (arar terra, colher frutos, etc) e no Pundak de 13h às 19h. Para completar, reunião dos voluntários internacionais às 20h.

Liguei para o responsável pela agricultura e falei que não dava conta. Meu último dia e primeira e única vez que fiz isso. Tive vontade outros dias, mas encontrei forças. Hoje, não deu. Não tinha a menor condição, precisava de tempo para arrumar minhas coisas, estava cansada da noite mal e pouco dormida, é um trabalho que eu não gosto nenhum pouco, muito cansativo e péssimo para a postura. Vi que iria ultrapassar meu limite e que teria consequência.

Realmente, ainda bem que não fui. São 23h30 e não acabei de arrumar minhas coisas, que devem estar prontas amanhã. Usei a manhã para lavar roupa, organizar coisas, me despedir de algumas pessoas. O turno de 13h às 19h no Café foi pesado, mesmo eu pegando mais leve. Quinta é o dia de movimento por lá, não pára. É a sexta israelense, quando todos descem a Eilat, a cidade de veraneio de Israel. Voltei ao kibbutz já 19h20, recolhi as roupas no varal e já segui à reunião dos voluntários internacionais. Não consigo nem imaginar como teria sido com a agricultura…

A reunião foi boa, li meu texto postado aqui mais cedo. Acrescentaria mais um paradoxo: é um lugar com regras rígidas, com um modus operandi rígido, mas que constantemente diz para indivíduos não serem rígidos, no sentido de usarmos mais o verbo “estar” do que “ser”. De novo, a natureza humana, muitos apontamentos e olhos de pessoas que estão aqui há tempos são dirigidos aos voluntários, mas falta levar em consideração o olhar dos voluntários, do outro, sobre o Kibbutz como um todo. Claro que não tomaremos decisões nem nada, mas é uma oportunidade de verem o cotidiano com outros olhos, de tirarem alguns vícios. E, não pensem que isso é facilmente aceito aqui, não é, pelo contrário, volta para a gente, volta àquilo de porque eu acho que isso seria bom, como isso me toca. Falar do outro realmente é sempre mais fácil… só ri por dentro e me despedi com a sensação de estar em um lugar tão humano.

    Júlia Boianovsky Rios

    Written by

    My life in Israel. IG: jucaviaja

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