A efemeridade que assusta

Juliana Cristina
Sep 9, 2018 · 3 min read

Escrever não é fácil. Nem um pouco. Ainda mais quando expomos nossa opinião acerca de um assunto. Por outro lado, posso dizer que nunca foi tão fácil escrever para alguém como é hoje.

Mas ao mesmo tempo, parece que as palavras cada vez têm menos importância. Não a palavra em si, mas a duração, a importância dela por determinado tempo.

Nem é necessário dizer que as mídias sociais são as grandes raízes desse fenômeno. Com elas, tudo é muito rápido. Postagens a todo tempo, atualizações a cada passeio. Não sou contra a existência delas, muito pelo contrário. Mas parece que tudo está tão efêmero que perde-se a importância.

Você é sucesso hoje, amanhã talvez ninguém lembre de você mais. Mas não precisa ir muito longe. Você escreve algo hoje para uma pessoa e amanhã já é passado. Outras milhares de mensagens já foram recebidas. Muitos contatos, muito fácil acesso a outras pessoas.

No jornalismo digital, principalmente, acontece o mesmo. A busca incessante pela publicação, por mais que seja algo irrelevante. Só para estar atualizado e não ser esquecido.

Acontece no jornalismo, acontece na rotina das pessoas. Piscou, passou. Acabou. Infelizmente não tenho a solução para o que considero um problema. Talvez você não considere, talvez você ache que seja um novo estilo de vida e que isso é bom. O que mais vejo são pessoas falando que precisam conhecer “gente” nova a todo tempo. Será que é por aí mesmo? Creio que não.

É a famosa questão de prezar pela qualidade e não quantidade. Falo da minha área, que é o jornalismo, falo também da relação com as pessoas. Tenho medo de ficar perdida no meio do caminho. E acho que, no fundo, muitos também têm. Mas mostrar isso não é bom. O importante é manter a boa pose.

O importante é ser famoso. Ser lembrado. Superar a efemeridade tendo a maior rede de pessoas possível e que se atualiza a todo tempo, com chegada e saída de indivíduos a cada instante.

Mas, desculpe-me, eu ainda dou importância para aquela palavra de tempos atrás e asseguro que o que estou escrevendo agora durará por um bom tempo, ao menos. É pensar no que vai falar para o outro, independentemente de quem seja esse outro. Não que eu nunca tenha errado, mas procuro ser o menos efêmera possível. Afinal, remar contra essa tendência é difícil. Expor uma opinião continua sendo difícil. Escrever continua sendo difícil. Mas quem disse que deveria ser fácil, não é mesmo? O que nos resta é encarar o desafio. Um bom e valoroso desafio.

Juliana Cristina

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