então.

disseram que aqui a gente poderia escrever sobre o que quisesse. como se fosse um blog. como nos velhos tempos.

fiquei pensando como inaugurar o espaço de maneira positiva, bonitinha, mas numa semana como essa, de guerra civil intelectual e de princípios, fica difícil incluir nessa página branca nada que não seja a pergunta que mais me martela a cabeça nesses últimos dias:

em que momento a gente deixou de amar?

deixou de amar as pessoas. as opiniões delas. seus preceitos. suas vivências. quando foi que deixamos de respeitar uns aos outros pra minimizar carinho por causa de voto. de banda. de escolhas. de preferências. de amores.

quando foi que a gente se afastou? esqueceu de dar aquele telefonema de saudades? achou que escrever parabéns em redes sociais já cumpria o papel? ficou adiando aquele café pra falar sobre a vida, sobre o nada, que seja? deu notícias importantes por uma mensagem de texto via celular? alguém escreveu uma nova regra sobre isso e eu perdi?

parece bobagem, mas também parece tão pouco pra ser cumprido. lembrado. abraçado. acolhido.

se você conseguir lembrar o dia em que deixou de amar, me conte. quem sabe eu consiga resgatar a minha parte também. e passar a fazê-la, mesmo que pouco. afinal, dizem por aí que menos é mais.