Esquisito. Esquisitíssimo escrever qualquer coisa. Estranhíssimo, uma aberração, uma anomalia. Eu, euzinha, eu mesma: não sofrendo antecipada, não amando no futuro, pronta para o sim e para o não, pronta para o presente. Eu, eu mesma, evitando qualquer olhar grosseiro, qualquer pensamento extenso, qualquer fiapo de roupa que ao ser puxado esgarça e destrói. O fiapo tá ali, não mexo. Uma espinha no meio do queixo. Jorrando pus ou não jorrando pus e não importa, não tenho espelhos.
Eu, euzinha tão neurótica, dormindo na sua cama e dando boa noite – agravante: tendo uma ótima noite. Acordando de mãos dadas. Ouvindo sua voz. Pensando na sua voz e na minha voz, na minha própria voz, não na voz da minha cabeça: na minha voz quando você me faz carinho pelo braço, pela mão, pelo ombro, pelo pescoço, quando me vira como se boneca de pano e ri no meio do ato, ri da sua própria grosseria e justifica dizendo que quer se encaixar melhor em mim e eu sou toda torta e achava que te olhar de frente era encaixar melhor, que olhar seus olhos era melhor, mas você quer beijar meu pescoço e sentir meu quadril no seu quadril e colocar sua mão no meu coração e encaixar minhas costas no seu peito e me abraçar como se eu fosse um presente seu – olhar nos olhos a gente olha o tempo inteiro.
Que gostoso. Que gostoso eu com você.
Eixo.
