EU ESCUTO JUSTIN BIEBER

A primeira vez que ouvi falar desse mocinho estava no trabalho, o mesmo amigo que me atualizou sobre a música Halo da Beyoncé me falou de Bieber. Antenadíssimo esse amigo na época. O tempo passou, minha vida mudou completamente e pelo visto a dele também. A dele do Justin quero dizer, hoje ele faz campanha da Calvin Klein vestindo apenas uma cueca e três mil e duzentas tatuagens.

Eu gosto desta frase: a “ignorância é uma benção”. Embora ela possa ser controversa em vários aspectos, mas enfim, de modo geral eu gosto. Dias atrás, esta frase chegou perto de virar uma profecia particular. Cantarolava feliz no carro, ao lado da minha irmã que está agora deixando a adolescência, a musiquinha que tocava na estação de rádio pela octogésima vez na última hora “is it too late now to say soooorryyyy? Uuuu-hu! Uuuuu-hu!

– Toca bastante essa musiquinha né? É bacaninha!

E então veio a bomba:

– É do Justin Bieber!

– Oi?

Levei dias para admitir que continuava a gostar da musiquinha mesmo sabendo que era de Bieber. Dias. E quando finalmente admiti, aí fui por um caminho sem volta, pro fundo do poço mesmo, ladeira a baixo, que nem drogas, sabe? Será que tem rehab pra isso? Adicionei a tal da Sorry à playlist no meu aplicativo de músicas do celular. Pior, adicionei mais duas. Um marco da minha vida: adicionar TRÊS músicas do Bieber na minha playlist. Se bem que marco seria adicionar uma né? Adicionar três músicas é motivo para tomografia. Agora ele está lá, dividindo megabytes com The Cure, Paul McCartney, Nina Simone, Foster The People, Norah Jones, Jamiroquai… acho que nem num Grammy estas pessoas se juntam. Mas no meu app, tá todo mundo feliz, numa boa, na paz.

Para me aprofundar e escrever sobre isso fui assistir aos videoclipes no YouTube, mas só a título de pesquisa mesmo. Só. Juro. Fui esperando ver um Bieber fazendo caras e bocas no clip de Sorry. O que eu encontro? Dançarinas super cool fazendo altos movimentos com seus corpos, movimentos os quais eu não faria sem ficar imobilizada por dois dias. Ele nem apareceu. Só elas. Choquei.

Clip de What do you mean: aí sim tem biquinho de Bieber, uma cabeça de criança com direito a cabelinho ridículo jogadinho de lado, acoplada a um corpo musculoso e tatuado em cenas tão quentes com uma garota que até me fizeram ruborizar. Gente! A última vez que vi esse menino ele tinha o quê? Dez anos? E hoje já faz ziriguidum na frente da câmera? Mas não tem nem barba! Tem mais tatuagens do que idade!

Eu falei, caminho sem volta, passei pro clip de Love yourself, mas com a graça divina não gostei. Detestei, parei no meio. Obrigada senhor! Que alívio! Acho que já posso dar início ao processo de recuperação.

Mas antes deixa eu ouvir “What do you mean” mais uma vez.

Se você ficou curioso ou curiosa e também gostaria de assistir aos vídeoclipes, claro, a título de curiosidade somente, deixo os links aqui para você. Mas atenção, é por sua conta e risco, combinado?


Originally published at cronicascotidianas.wordpress.com on January 29, 2016.