Sobre a noção da morte

Lembro que quando eu tinha 14 anos a Morte era essa figura que estampava a capa do meu exemplar de “A Menina que Roubava Livros”. Vestindo um sobretudo preto — distante e sedutora — eu flertava com ela como um pré adolescente que acabara de desabrochar.

Ao crescer, sua imagem mudou. A ideia da Morte continuou em minha vida, em minha boca, em minha escrita. Mas se tornou mais bem delineada. Deixando-a de ver em poésis, a vi como o que fica no mais fundo esgoto de Derry, sua presença tão próxima que sinto seu sopro quente em minha face.

Acho que a transformação da noção do que é a Morte foi o que mais substancialmente eu senti de diferença ao crescer. Antes, tão bela e literária, agora, tão grotesca e medonhamente palpável.