ESPAÇOS DIGITAIS, entre praticas populares e re apropriacao de tecnologias

Baseada em Nantes na Francia, a associação PiNG trabalha com a acessibilidade e a compreensão dos desafios de nosso ambiente digital: Questionar o mundo digital no qual vivemos e explorá-lo com a cabeça e as duas mãos ao mesmo tempo! Isso é utopia.

Atualmente, nossa associação possui quase 300 sócios (a maioria já sensibilizados à essas questões) e dois espaços de práticas: o Ateliê Compartilhado imaginado no modelo de um jardim compartilhado, e Plataforma C que segue o modelo fablab.

Decifrar uma « cultura digital » é um grande desafio para a associação e nos incita a cruzar práticas mais instituídas: atividades socioculturais, cultura científica e técnica, práticas artísticas, educação popular, design, bricolagem…

Nós defendemos, além do uso de softwares livres, uma cultura livre por razões éticas e práticas e para conciliar o conteúdo e a forma: se quisermos abrir o capô das tecnologias (software) mesmo assim é preciso ter acesso ao motor (código fonte). Essa iniciativa aplicada ao material eletrônico ou ao design de um objeto traz problemas políticos e econômicos fortes (propriedade industrial, patentes, …).

Colocar os desafios ambientais do impacto das tecnologias também faz parte, a nosso ver, de uma postura reflexiva e crítica sobre essas inovações tecnológicas. Isso nos leva a deparar com outras iniciativas associativas ou militantes, locais ou internacionais.

Nossa iniciativa faz eco à essa da cultura livre no sentido onde, tanto o processo como os resultados daí obtidos se mostram abertos e re-apropriáveis e se imagina como um laboratório cidadão

Plateforme C version brute, Juillet 2013 : cette sous-location nous a été livrée vierge. Après quelques touches de peinture et l’installation électrique, de nombreux adhérents ont contribué à faire que cela devienne cela http://plateforme-c.org/

Nós estamos há algum tempo interessados, com relação à nossa prática de pesquisa — (em) -ação, nos trabalhos de Hugues Bazin :

INTRODUÇÃO

Artesão cultural e autodidata na montagem de projetos artísticos e associativos, participo da estrutura associativa PiNG para explorar trilhas «digitais» abrindo «espaços» de prática e reapropriação de tecnologias onde as questões “de emancipação coletiva e de transformação social” atravessam nossos espaços.

Este artigo, um ponto de reflexão contínua e compartilhada, propõe estabelecer as bases de uma escrita coletiva baseada na seguinte hipótese: quanto mais « há tecnologia », mais precisamos de espaços físicos promovendo uma real apropriação social dessas tecnologias? É o suficiente? Quais os comentários dessas experiências? Como nossas explorações digitais chegam a questionar a educação popular? Como compartilhar essas questões com os atores de interesse geral, educação, cultura, movimentos sociais,…?
 

 Partindo de trocas com diferentes colaboradores e amigos, alimentado por suas pesquisas, apresento aqui uma problemática sobre as condições de apropriação das tecnologias completando-a por um léxico na (des)construção.
 Este método « contributivo » será usado ao longo do ano para aumentar este texto inicial através de uma publicação online e em papel.

Não se trata portanto de uma afirmação definitiva, rígida e dogmática mas de um “passo”, um método reflexivo e um espaço de encontro para « recuperar os espaços de trabalho da cultura », para cultivar boas « formas de intervenção ».
 Mencionemos B. Cadon de Labomédia, Jeff de Snalis44, Alain Giffard e Xavier F. de Bureau de Estudos que participaram deste laboratório misto-de ideias, bem como outros colaboradores anônimos até o momento.

visite en 2016 aux http://www.lesusinesnouvelles.com/ près de Poitiers, “anonyme au bureau”

PROBLEMÁTICAS

Para a questão inicial de saber se nossos espaços de prática participavam a uma melhor apropriação social das ciências, técnicas e tecnologia digital, nós respondemos com « um sim mas… ». Para isso surgiram quatro questões:

POR QUE É NECESSÁRIO APROPRIAR TECNOLOGIAS?

Uma visão do mundo que passa cada vez mais pelo prisma de « digital », nosso mundo é gradualmente transformado em dados binários com os quais somos convidados a interagir.

A teoria da informação, a discretização dos vivos, uma forma de simplificação pela transformação do analógico em fatias de 0 e 1, o que induz uma transformação de nossa paisagem intelectual e imaginária.

A supremacia de uma visão cientifica, a representação do mundo através da ciência e da tecnologia, a eficácia da evidência através da experiência, a técnica « funciona » e se impõe como uma visão de mundo em detrimento de uma abordagem sensível e mais próxima do funcionamento da natureza.
 Do ponto de vista lógico, a questão da possibilidade de se apropriar de técnicas vem antes à da necessidade. Precisamos de mediação.

Assim, a técnica sem mediação é apenas um aspecto do grande « blefe tecnológico » , uma espécie de cultura técnica industrial-consumista-comercial, que formata os usos e pode (deve) ser travada por uma cultura técnica crítica.

La bannière gif de l’excellent https://yamatierea.org/

Portanto, se é possível apropriar a técnica, é necessário fazê-lo, porque a técnica tende a ser enxertada na totalidade das relações humanas, e ser ela própria a relação de referência, estruturante e central. Portanto, devemos abandonar a noção de técnica-meio para a relação técnica-relação humana 4.

Apropriar-se da técnica não é adotar um meio para um fim próprio; é definir um significado para a relação, entre homens e técnicas.

O homem nunca deve ser considerado como um meio pelo homem.

summerlab, Ecole d’Architecture de Nantes, http://summerlabnantes.net/ 2014

A QUEM BENEFICIAM OS ESPAÇOS DE … « MEDIAÇÃO »?

Em que medida através dos meios de mediação, somos agentes de promoção desses objetos e métodos técnicos? De forma quase involuntária, somos fatores de validação desses avanços técnicos, e isso, apesar de uma postura crítica. Através das artes digitais em particular, somos levados a usar as « tecnologias mais recentes » e assim promovê-las.

Nós também somos às vezes, contra a nossa vontade, completamente envolvidos no « ecossistema » criativo e inovador: os *laboratórios (fablab, medialab, hacklab, …) como inovação de vanguarda (com por exemplo a recuperação de hackatons por abordagens empresariais), somos às vezes pioneiros de futuras terras férteis, mas cujos vegetais e frutas serão colhidos por start-ups na vanguarda da integração capitalista dessas dinâmicas criativas e de compartilhamento.

Os espaços de mediação são, portanto, lugares de tensão, de conflito entre injunções à inovação industrial e apelam a um movimento de uma cultura crítica. Estes lugares não podem evitar (mesmo colocados sob o signo da cultura livre) estarem integrados, em um grau ou outro, na economia da atenção. No modelo de « mercado de dois lados », como o Google, eles aparecem no primeiro lado, entre todos os tipos pontas de gôndola. O conflito de atenções cruza e reforça o conflito de culturas técnicas.

Isso não significa que os espaços de mediação sejam condenados a serem instrumentalizados. O simples fato de abrir a questão da cultura técnica é um começo de resistência (ou mesmo sensatez).

COMO E ONDE PRODUZIR ELEMENTOS DE MEDIAÇÃO VETOR DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL?

Ao levar em conta os elementos mencionados acima, é aconselhável mediar também para tentar disseminar um espírito crítico e distanciado diante dessas evoluções tecnológicas sociais.

Se não quisermos experimentar o mesmo fracasso que a descentralização cultural (FRAC, cenas nacionais cujo público é finalmente confinado a algum CSP, …), devemos renovar, reinventar nossos métodos de intervenção e mediação.

Para isso, é necessário obter uma melhor compreensão da evolução das práticas, especialmente entre os jovens, para localizar um ponto de partida relevante para esta troca de conhecimento, saber-fazer, saber-pensar. O princípio do “lugar de mediação” coloca uma questão: o “lugar” constitui uma base sólida, a base para o desenvolvimento estrutural de um projeto, em particular para desenvolver formas de intervenção pagas ou voluntárias e, assim, garantir uma certa estabilidade ao projeto. No entanto, é também um fator de conservadorismo: uma certa inércia face a evoluções potenciais nos modos de intervenção, no coração das “formas de vida”.

Poderia se tratar de articular os modos de intervenção “fora dos muros” e “nos dispositivos” das pessoas a partir dessa base “também conhecido como lugar físico” e, assim, pensar essa ação de mediação para desenvolver o sentido crítico, o livre arbítrio, a autonomia em relação às tecnologias, mais próximo dos usuários. Poderia ser “ se intercalar” na vida digital das pessoas para dar-lhe mais significado e distância: podemos imaginar meios de intervenção móvel que se deslocam em um território conforme as interpelações e necessidades. Também poderia se tratar do desenvolvimento de aplicativos que contribuam para esses desejos e que sejam inseridos no processo de informação diária para melhor gerenciá-lo ou mesmo controlá-lo.

Considerando o estágio de avanço da “economia da atenção” , é necessário conseguir desviar, captar parte dessa atenção para criar zonas de trocas e de mediação. Para fazer isso, iniciativas lúdicas podem ser implantadas enquanto tentamos esquivar dos entraves da gamification de nossas vidas. O hack, o embuste, o humor também podem ser alavancas para beliscar a atenção e às vezes fazer mudanças de escala.

A gama de ferramentas a serviço da mediação crítica em relação ao digital pode e deve, portanto, se estender e se diversificar para atingir seus objetivos, num mundo que, de momento, desliza inexoravelmente para um controle hegemônico dessas entidades digitais em nosso cotidiano.

COMO OBJETIVAR NOSSOS LIMITES?

Prefiro aqui listar os pontos a colocar em relação sob a forma de itens.

- Fora/Dentro: colocar como um ponto de vigilância a distância entre o discurso produzido por nós e a forma como é percebido de fora.

- Previsível/Desejável: produzimos formatos que cruzam inovação social e participação cidadã que estão dentro da cidade e certamente produzem artefatos ou consequências que certamente não são defendidas em outros lugares. Então, como pensar ou pensamos nós os dispositivos que implantamos? Em que escala podemos intervir, quais formas de emergências se dissimulam em nossas atividades? Ter uma visão objetiva do que as linguagens que definem nossas ações produzem, sendo levadas ou transportando outros tipos de linguagens, elas mesmas tomadas em outras lógicas.

- Transparência/Alternativa: entender que a open source não é necessariamente mais alternativa, mas que reside na fabricação do valor e na transparência um terreno mais fértil.

- Economia / Emprego: Falamos/começamos a partir de uma dimensão cultural para construir nossas ações. Elas também não são esperadas do ponto de vista da economia. #empregosDoFuturo. Mas o nosso território de ações não é o das tecnociências, nosso terreno em negociação é o da economia territorial, isto é, a dos vizinhos, a de proximidade, …

- Educação/Popular: Em um mundo não encantado, nosso campo provavelmente é mais uma tentativa de aplicar a apropriação social das tecnologias, a busca de técnicas populares comuns mais que uma educação popular que conhece limites! Quais são, também, os nossos limites?

- Transmissão/Conhecimento: propomos uma participação cidadã para a sociedade técnica e científica: Há, sem dúvida, uma nova base sensível. O uso voluntário de tópicos como comunidades on-line, artesanato e neo-artesanato tende a sugerir a articulação de habilidades em rede para uma competência situada.

- Instituição/Autonomia: esses elementos interrogativos constituem o projeto específico de um grupo específico, uma associação, por exemplo. Nossos projetos são definidos de maneira autônoma em relação aos procedimentos institucionais (rótulo, federação, etc.). Trata-se de “se auto-instituir”, . Portanto, há necessariamente não somente dois discursos, mas dois regimes de prática e pontes diplomáticas a serem construídas. O estrato de nossa tática seria duplo: de uma estratégia PÚBLICA na superfície a uma outra abordagem CRÍTICA em uma lógica dividida, atravessada por práticas de design social para passar do manifesto para a implementação. Um empilhamento salutar e tático?

PING, Mon@

- Subjetivo/Objetivo: Esta estratégia não pode derivar apenas de uma análise objetiva do teatro das operações, como se, uma vez que as coisas tivessem sido devidamente analisadas, tivéssemos a lista de tarefas, pontos de investimento, uma “ agency “ das prioridades. Não! O mais importante é saber qual lógica dirige. É certamente o lado subjetivo, os “valores compartilhados”, a ética, a estética, a política, os gostos, os desejos de nossas ações.

Limites/Pluralidade: existe, portanto, um “lugar”, um ponto em que ele para. Nossos limites são aqui, duplos: limite de território, limite de escala, limite de ações. Qual aliança privilegiada para superar uma função de pioneiro?

Aproveitar uma forma de organização que ofereça uma pluralidade radical.

summerlab 2016, la Déhale Le Pellerin, photo by JeanBaptiste

As formas de organização e intervenção estão abertas neste momento: sobretudo não as fechar.

LÉXICO

Voltar aos termos que nos definem, nos enquadram e nos delimitam é talvez uma boa maneira de estabelecer ligações e pontos comuns com outros setores de atividades e atores.

A semântica descrevendo atividades ligadas ao digital está em movimento. Muitas vezes, é determinada pelos financiadores (poder público, mercado), mas também por aqueles que os ativam (cidadãos, atores) ou aqueles que os comentam (mídia, redes sociais):

CULTURA DIGITAL COMUM

Em um texto co-escrito com Alain Giffard em 2014, nos perguntamos sobre “os lugares” onde aprendemos a entender essas tecnologias digitais, a antecipá-las, a desviá-las, a apropriá-las. Esta questão das condições necessárias para esta apropriação não é nada mais do que a questão do que denominamos, para definir um espaço comum: a cultura digital.

Partindo do pressuposto de que a cultura digital está em movimento — no sentido em que está em formação -ela não existe antes da sua transmissão, insistindo na dimensão “práticas, ateliês”?

Ou seja, os costumes do público não são rigorosamente determinados pela instituição ou pelo mercado. É essa lacuna entre uma posição-alvo e uma posição ativa de sujeito, que revela o projeto de apropriação cultural.

O ponto central desta abordagem foi o abandono da ideia de que a tecnologia poderia, ao se tornar comum, disseminar através de seu próprio movimento o conhecimento e o know-how necessários. Propusemos assim, algumas linhas de reflexão sob a forma de um manifesto:

→ Optamos por uma cultura digital crítica. Sem uma abordagem crítica, não há verdadeira formação na cultura digital, que é reduzida a um discurso que acompanha o marketing, na preparação dos consumidores.

→ Acreditamos que o desenvolvimento da cultura digital deve fazer parte da perspectiva do fortalecimento da capacidade dos indivíduos e da coletividade, ou seja, na perspectiva da cultura de si próprio.

→ A cultura digital deve ser verdadeira e amplamente democratizada. Se rejeitarmos a abordagem pela “recuperação” e o único “acesso” às tecnologias, permanecemos fiel ao nosso compromisso inicial de combater as desigualdades nos campos digital e outros.

→ Em uma democracia, a soberania das pessoas se torna uma simples ficção se, diante de um ambiente que elas não entendam, que lhes “supera”, não podem adquirir autonomia suficiente para entender os desafios, identificar os problemas e finalmente, tendo se apropriado deste ambiente, desejar realmente exercer seu poder. A subjugação das pessoas à tecnologia é uma ameaça para a democracia.

→ Defendemos associar cultura digital e cultura do Livre, para construir a cultura digital como um bem comum.

→ A construção e transmissão da cultura digital requer o estabelecimento de uma formação no currículo geral da educação como na educação popular. Este ensino faz parte da cultura geral e não pode ser limitado a currículos científicos limitados.

Também é necessário organizar tempos de debate sobre a cultura digital para ativar a apropriação social das tecnologias. Em outras palavras, é necessário facilitar a apropriação da cultura digital como “conteúdo” e como “problema”.

Extrait de la vidéo de présentation de C Bonneuil lors des rencontres de l’Atelier Paysan, en ligne sur Youtube, visionné un soir dans mon navigateur Firefox #digitallabor

ALGORITMO

“O modelo econômico da GAFAM nos obrigará a repensar a articulação do mundo entre uma forma de capitalismo e extremo e uma forma renovada de marxismo na era do trabalho digital, das inteligências artificiais, da singularidade, do transhumanismo, da automação e da biotecnologia. Olivier Ertzscheid « Appétit des géants, pouvoirs des algorithmes, ambitions des plateformes » Ertzscheid, Olivier. « Appetit des géants : Pouvoir des algorithmes, ambitions des plateformes »

Extrait The circle “Les USA dans un futur proche” Même pas : http://www.allocine.fr/film/fichefilm_gen_cfilm=234164.html c’est déjà comme ça

TECNOLOGIA

Do que fala a tecnologia: ​​”Usamos a tecnologia, porque ela tem mais dignidade do que técnica (…) tecnologia, é o nome da técnica despossuída. É feita fora de nós, sem nós “Jean-Pierre Séris

A sociedade dos homens é “mediatizada”? pela técnica. A técnica não é um mero regime de meios, pode ser interessante se colocar a questão de técnicas, tecnologias, ciências, … …

Como uma apropriação ainda é possível? Quem programa, quem dirige? (…)

“O termo da técnica, em seu sentido mais geral, refere-se a qualquer processo de implementação de meios para um fim. A abertura de uma garrafa usando um saca-rolhas é uma operação técnica, como é o esvaziamento dos tanques de um petroleiro gigante, a troca das velocidades de um automóvel ou a resolução de uma equação de terceiro grau. (…) Este termo referiu-se originalmente à disciplina do estudo da técnica. Mas passou a designar o que também é chamado de tecnociência, ou seja, um estágio no desenvolvimento da técnica, onde acaba sendo confundido com a ciência. (…) o que existe são programas com orientações divergentes e às vezes conflitantes. Podemos resumir isso por uma fórmula: em termos de tecnologia, tudo o que está programado não é bem-sucedido, mas tudo que foi bem-sucedido foi programado. “ La technique, la technologie et la machine. Jean-Marc Mandosio

Atelier à l’EPN-Fab-LAB de Fontenay le Comte, l’Innovation permanente, simple et conviviale http://parcoursnumeriques.net/articles/portraits/immersion-en-espace-numerique-centre-social-oddas-fontenay-le-comte

FABLAB

Nascido nos Estados Unidos, este conceito combina, sob um rótulo muito simples, um conjunto de pontos a serem respeitados para definir seu ateliê de prática digital como um local onde, na medida do possível, se pode fabricar, reparar e projetar qualquer tipo de projeto: uma listagem de máquinas, softwares e ferramentas técnicas disponibilizadas. Por dez anos, os fablabs cristalizam desejos para uma renovação de um modelo industrial sem bateria de lítio.

Este conceito reativa a noção de práticas de ateliê, produção em pequenas séries e locais. Como se os clubes de bricoleurs (artesãos) da década de 1970, popularizados pela revista Système D, estivessem equipados com Internet. System D magazine

Comparaison entre la charte des ateliers Systeme D des années 70, et celle des fablab MIT http://fablabo.net/wiki/AteliersystemD

“Pode-se notar que essas práticas oferecem um retorno à matéria, ao tangível, ao manipulável em um momento em que as tecnologias parecem cada vez mais invisíveis. Lugares que permitam transformar a matéria (produzir, criar) onde, para isso, há transmissões de conhecimento e práticas são, na verdade, multidisciplinares e atravessam os campos da agricultura, da culinária, dos transportes, da energia, da habitação, das artes e do artesanato. Formando uma sociedade de ateliês em rede?extrait la Société des Ateliers du wiki de Reso-nance Numérique

O fenômeno dos makers, atualmente estudado por sociólogos, tende a mudar as conexões promissoras para os ateliês do passado em favor dos modelos libertários de inovação econômica e social.

“Infelizmente, a principal competência na cultura dos makers nesses tempos parece consistir em uma planilha no Google Drive com um plano de negócios e uma estratégia consistente de relações públicas para as mídias sociais. […] » Gambiarra ou la repair culture by Felipe Fonseca sur Makery

Extrait slides O Ertzchield ‘la fin de l’internet’ http://affordance.typepad.com//mon_weblog/2017/09/la-fin-de-linternet.html

SOBERANIA

Em uma democracia, a soberania do povo se torna uma mera ficção se, diante de um ambiente (aqui digital) que ele não entende, que lhe “exceda”, não pode adquirir autonomia suficiente para entender os desafios, identificar os problemas e, finalmente, tendo se apropriado desse ambiente, desejar realmente exercer seu poder.

“A soberania tecnológica nos remete para o contributo que cada um de nós traz para o desenvolvimento de tecnologias, salvando nossos imaginários radicais, recuperando nossa história e nossas memórias coletivas, restituindo-nos para que possamos sonhar e desejar juntos a construção aqui e agora de nossas infraestruturas próprias relacionadas à informação, comunicação e expressão. “ Thomas Bernardi, PING

Labomedia, oeuvre d’art cédé à PING

EMANCIPAÇÃO

Impulsionada por essa esperança de expressão individual ou coletiva, onde estamos nessa utopia em redes?

“[…] estas dinâmicas se cristalizaram de forma particularmente visível a partir de 1995, quando, graças à organização de contra-cúpulas do altermundialismo, os primeiros” laboratórios de mídia “ conheceram um período de grande atividade durante uns dez anos, mas também a rede libertária Indymedia cujo lema “não odeie a mídia, seja a mídia” ressoa fortemente com a convicção do hackerismo libertário de que a rede é o lugar de uma emancipação potencial de indivíduos em um espírito de horizontalidade e igualdade. “ Nicolas Auray

Installation de Malvim, photo en CC by Ptqk durant le festival Tropixel 2013 http://www.pingbase.net/blog-actus/a-tropixel-des-lab-en-mouvement

INFRA-ESTRUTURAS

O digital está em toda parte: trabalhamos com digital, comunicamos com digital, aprendemos com digital; com o digital fazemos guerra, reuniões ou negócios … a lista é longa, nem o fervor com o qual submetemos nossas atividades, nossas identidades e nossas vidas ao domínio do digital. É hora de perceber que nossas organizações, territórios e coletivos estão enfrentando esse empilhamento estratégico:

“Do mundo plano ao empilhamento de Stack, o segundo fenômeno é a re-verticalização solidária dessa descentralização. Para as trocas horizontais que levaram as promessas emancipadoras da Internet, agora se sobrepõe a um “empilhamento” de estruturas cada vez mais integradas e hierárquicas, sob o poder dominante das plataformas, onde o GAFA (Google, Amazon, Facebook, Apple) e outras NATUs (Netflix, Airbnb, Tesla, Uber) desempenham um papel central. Um livro recente de Benjamin Bratton mapeia esse empilhamento — the Stack — ao distinguir seis camadas sobrepostas. Sobre a base geológica e os recursos físicos fornecidos pela “Terra”, “a Nuvem” aparece como um arquipélago de “servidores, bancos de dados, fontes de energia, fibras óticas, dispositivos de transmissão sem fio e aplicações distribuídas “ Yves Citton

Festival TROPIXEL 2013 : des labs en mouvement http://www.pingbase.net/blog-actus/a-tropixel-des-lab-en-mouvement