Elísio

Elísio

Às vezes, confesso que quero voltar aos meus campos elísios.

Lá onde minha mãe me ensinava a cantar.

Lá onde eu lia sobre o fim dos tempos antes de deitar.

No tempo em que a vida era o que eu escrevia deitada sobre um chão de telha.

Lá onde eu vestia as lentes do senhor meu pai e enxergava o mundo de ponta cabeça.

Lá onde eu era rainha e ninguém podia caçoar de mim.

No tempo em que a gente apostava corrida com o Tempo — e vencia.

Lá onde a gente era café com leite.

Lá onde não existia partida.

No tempo em que ninguém sabia o que era partilha.

Lá onde os céus eram meus.

Lá onde a gente erguia castelos inteiros vermelhos de terra.

No tempo em que lençóis ao vento eram só caravelas que vinham em paz.