O que aprendi com os 30 anos

Entra o mês de maio, e com ele a tão esperada e desesperada chegada aos 30 anos.

Nada de ”depressão pré aniversário”, ou crise existencial. Prefiro a extração das pepitas de ouro do cotidiano, ok?

Bem… prosseguindo:

Estranho mesmo é um simples pré aniversário te fazer refletir tanto. Os pensamentos tomam um rumo descontrolado nos conduzindo aos questionamentos mais tortuosos possíveis. Ou somos nós que nos damos conta de que nada, absolutamente nada esteve sob o nosso controle?

Repetições perdem lugar para o ineditismo e eloqüência necessários. Queremos e temos pressa de sermos compreendidos. Ou não.

Não há mais tempo a perder.

Tornamo-nos rígidos e frios, ou simplesmente fortes. Menos sofridos e mais calejados.

Tornamo-nos corajosos, ou medrosos cheios de atitude.

Essa idade me assusta.

Não pelo aumento do primeiro dígito, mas pelo sinal de alerta.

O que aprendi com os trinta anos?

Que temos muito a aprender.

Que felicidade é coisa séria, e urgente.

A vida nunca foi, não é e jamais será uma constante.

Nascemos todos os dias.

Morremos também.

Aprendi que mudar de opinião é importante. Nossos olhos e nosso caráter devem acompanhar o caminhar do mundo.

Aprendi que a religião pode ser uma arma nas mãos dos que tem má fé.

Que a fé não move montanhas, mas move algo mais pesado: corações.

Aprendi tristemente que a verdade sempre tem dois lados. E que muita gente ruim da minha infância na realidade eram boas, sofridas, injustiçadas, caluniadas e mal interpretadas.

Que a bruxa malvada, na verdade era uma fada cujas asas foram arrancadas sem dó, e sua varinha de condão quebrada pelas mãos de outras fadas.

Que sorrisos simpáticos e trejeitos afáveis não são garantia de escrúpulos, e que os perversos podem ser encantadores.

Que o mal pode ser fascinante nas mãos de bons demagogos, e que o senso comum é moldado de acordo com objetivos diabólicos.

Aprendi que o bem pode ser entediante quando nos apresentado.

Que a prática do bem deve ser urgente e que gera gratidão.

Aprendi que a gratidão abre comportas e faz transbordar emoções que mudam o rumo dos ventos.

Que amor ao próximo é dádiva e não uma obrigação.

Que os poemas são mais sinceros do que as crônicas.

Que as palavras têm força e que podem paralisar e gerar erros imperdoáveis.

Aprendi que o perdão faz bem, mas sempre aceitamos da pior forma possível: quando estamos cansados de sofrer e remoer dores nunca tratadas.

O perdão é uma questão de sobrevivência.

Aprendi que as rugas vêm, o metabolismo vai e a vaidade precisa ser dosada pra não virar futilidade.

Aprendi que sensualidade não vulgariza ninguém.

Que aqueles beijos realmente não são contratos. E que nada pode segurar algo ou alguém que nunca me pertenceu.

Aprendi que nada foi meu.

Essa idade bizarra onde o temor primário está em engordar fácil, encalhar para sempre, e que o epicentro do fator determinante de sucesso e fracasso habita nos 30 anos … Aprendi que tudo isso é bobagem.

Que cada escolha agrega uma renúncia.

E que uma coisa puxa a outra.

Aprendi que dizer não pode nos manter vivos por toda a vida.

Que sucesso não está no valor do salário, na ascensão profissional, e muito menos na quantidade de bens que possui.

Aprendi que sucesso é estar em paz por dentro, não estar em débito consigo mesmo por algo que não fez, por desculpas jamais pedidas, amores jamais declarados e mãos jamais estendidas.

Aprendi que há dores que demoram a passar.

Que a saudade é um belo sentimento, mas dói sim!

Que o tempo não passa rápido, nós é que passamos rápido por ele.

Aprendi que um “bom dia” pode melhorar o dia de alguém.

Que as flores no canteiro central nasceram de propósito, nos provocando a olhar para os lados.

Aprendi que o sol nasce para todos, e que a noite não é tão escura.

Que o inverno é mais convidativo do que melancólico.

Aprendi que o amor é semente que se cultiva, que brota e cresce, mas morre se a água acabar.

Mas essa idade tem tanto pra me ensinar?

Vai sobrar alguma coisa para os meus 100 anos?

Sim.

Os trinta anos vieram para me avisar que a estrada é longa, a corrida é intensa e que o tempo tem sido mais generoso do que imaginei, me ensinando tudo isso em apenas 30 anos.

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