DE JEITOS E OUTROS JEITOS

Cada jeito com seu encanto e hoje, aqui nesse recanto de lar, entendo um pouco de inspiração.

Aquele palpitar ressonou a alma. Chegou aquela brisa de alegria, aquela fagulha de ar e de sonho que sempre dá balanço pra mais canto e pra mais rotina. Como em mais uma quinta-feira, vou fechando os olhos do dia com mais estalos de autoconhecimento e de boas considerações.

Se acordei poética, ou se poesia morou nas horas do meu dia, ou se veio me apanhar de propósito justo agora, depois dessas horas de liberdade e leveza, eu não sei. Sei que ela está, e está cantando. Está contornando imagens, está sorrindo as cores quentes aqui dessa casa.

Nesse instante, por esse instante de emoção, enxergo nada mais do que todo esse composê abstrato e solene de boas energias. Uma incroncretude plena, uma inexatidão perfeita e perfeitamente cabível. Vida, ora pois.

Tramas de encontros, desencontros, falas deixadas, falas trocadas. Abraços de diálogo que temos com os livros, com o céu, com os cafés da manhã em família. Inundam-se os olhos de empatia, o dia acorda claro e a chuva ainda serve pra afagar e acolchoar. E as colchas e mais colchas de bons afagos, vamos colhendo. Nesses pisos, nessas inconstâncias, o equilíbrio sempre a espreita, pronto pra chegar com o esforço da mente e do corpo, que estudam e integram sua própria sintonia.

As notas, quase as escuto. Um tom angelical por trás de cada palavra. Horas sonoras de afeto, esperança e imensidão, tudo contido no completo e preciso momento do agora. estamos hoje talvez repletos e plenos, talvez num momento de pura gratidão e bons reconhecimentos. Estamos talvez com sorte dos bons otimistas, a sonhar acordados, sem levar a mente pra longe. É deixa ela ficar, deixar ela ficar do seu lado. Viajemos juntos nesse espaço que contem e empurra os sentires. Viajemos mais, nas nossas constâncias cotidianas, e encontremos em cada constância um esplendor de beleza e raridade.

Isso vai me lembrando todos os momentos de escrever. As horas no papel se desfazem em memórias e novos contos. Contos com tamanha intertextualidade e dotados também de certa repetição. E repetir não faz mal. De novo, o tentar, de novo dançar, de novo rir da mesma coisa sem graça. Rir, ler, esperar pai e mão pro chimarrão da tarde. Encontrar as pessoas de sempre, conversar sobre coisas do agora. Paixões que nos percorrem as veias, que escorrem pelos saltos matinais. Paixões que nos conduzem daqui pra lá, e de lá pra onde estamos agora. Descobrir, dentro de cada ato, um encanto, dentro de cada flash, uma magnitude perfeita de cores e sabores. Consciência, plena e provisória. Serenidade e jeitosidade com o jeito da gente. Paciência e pausa. Bolo e café e mais horas e horas a fio pra ver da vida sempre uma boa instância. Uma boa instancia de pensamentos, uma boa chance de clarear mistérios, de mistificar verdades. A vida como chance da descoberta, como horas e horas que não duram mais do que o instante que acabou de passar. Tudo tão efêmero e tão eternamente presente. Tudo tão belo. E imprevisões que fazem de cada drama situacional, um novo capítulo ou desfecho da novela criada. Um teatro feito e desfeito nas armas das loucuras jeitosas de cada pessoa. Cada pessoa doida e incompreendida, cada pessoas peculiar, cada coisa inédita que cada “cada” tem pra mostrar. O que acontece com as paixões de infância, as paixões de todo dia, as paixões diluídas em hábitos pormenorizados, eu não sei. E se de paixões vive a mulher, vive o homem, não sei. Sei que de paixões eu vivo, a cantar e dançar pelas manhas da rua, descalça de argumentos válidos, entendida, apenas, da plenitude dos instantes que se fazem valer.

Pelas meditações dessa vida, pela grandeza infinita daquela que me inspira e me acompanha, pelo coração aberto do convite inesperado de hoje, pelas horas na minha própria companhia, gratidão. Gratidão pela hora de agora e por cada rosto que me aquece a alma quando penso na validade imensurável dessa hora e desse dia, desse singelo e infinito instante.