(des)empatia

Julia De Vargas Beims
Nov 1 · 3 min read

Tenho muita vontade de reclamar das ações dos outros, mas não o faço. Não posso mentir e dizer que nunca reclamo, mas normalmente não é diretamente à quem eu deveria reclamar. São atitudes que não cabem na minha empatia, na minha compreensão de mundo: quando eu não consigo me ver agindo daquela forma, não a compreendo.

Talvez, ao ler isso, pareça que não tenho muita empatia mas é exatamente o contrário disso, eu tenho, e muita. Sou a pessoa que vai ao shopping e fica cansada de ver muita gente (muita energia absorvida); anda de metrô e chega em casa exausta pela quantidade de energia; entende sofrimentos, pontos de vista, que outros não entendem. Sempre absorvi as dores dos outros.

E por isso fico mais abismada pelas atitudes das quais eu não entendo. Isso demonstra, a meu ver, que as pessoas são (estão) muito egoístas e tem dificuldade de se colocar no lugar dos outros. Acreditam viver em um mundo próprio delas, nas quais suas ações não afetam aqueles ao seu redor. Seja desde uma simples falta de educação no metrô até uma frase humilhante direcionada a alguém inocente.

Devo aqui explicar algo sobre meu modo de pensar: generalizações. Somos seres generalistas com muitas individualidades. Ao pensar em uma generalização tendemos ao lado negativo, mas esquecemos que por causa de generalizações e julgamentos é que sobrevivemos. Foram padrões em atitudes, grupos, seres humanos que nos fizeram aprender:“isso não funciona para mim”, “isso é perigoso”. É claro que nem toda generalização é boa (generalizando), mas elas são necessárias e nem sempre passíveis de incômodo. Por que eu falei todas essas coisas? Ao escrever “alguém inocente” percebi que poderia causar o tipo de reação “nem todos são inocentes”.

Agora volto ao assunto do texto: a falta de empatia e o meu extremo incômodo guardado. Segue um exemplo, simples: dentro de um transporte público existem dois tipos de barras para que o indivíduo possa segurar-se: uma acima da cabeça e outra que desce verticalmente. Porém, eu e todas as outras pessoas com altura <1,60 experienciam uma grande dificuldade em alcançar de forma confortável essas barras acima da cabeça. Até aí, tudo certo, afinal é só nos segurarmos naquelas barras verticais. Problema é que algum ser humano com altura de >1,80 está esparramado nesta barra, ouvindo música em seus fones de ouvido. Onde devo me agarrar em caso de paradas bruscas? Provavelmente na senhora cuja, julgando pelo seu porte físico, nunca teria acotovelado, de cara feia, cinco pessoas que já se encontravam grudadinhas umas nas outras. Ela com certeza demonstrou uma força incrível para impor sua presença, mas agora utiliza sua feição de senhora frágil para conseguir um lugar no assento preferencial.

Você conseguiu visualizar? Quem era você, no caso? Se você se identificar como a senhora ou o indivíduo esparramado na barra, favor contactar-me pois preciso de explicações.

Vou deixar as próximas reclamações para um outro post e aos poucos, quem sabe, entendo melhor e liberto-me.

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