mão única

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as músicas que os objetos emitem

feito seres que sussurram e somem

atraindo ao halo, hálito do abismo

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totalmente atraída

pelas reentrâncias do dia, ouço o rasgo

na queda que pairo, paro

esbarro nos sólidos

desvejo as frestas dos paralelepípedos

fecham-se os sentidos

agora a rua é mão única

não atravessável nas transversais

não desce a dose de absinto

pagino as folhas e não sente

pouso a testa na testa

não há mais pressa

no mundo há mesmo essa maioria

não há absurdo que console

a fantasia

brilhante entorpecente

de um cotidiano que só bate

atravessaria?

atravessaria?

-

-há essa opção? não se perdeu junto com a ingenuidade?

a paixão amareleceu e secou estes olhos

serão longos e pálidos cada respiro do dia