Julia Jota
Jul 22, 2017 · 1 min read

normocrônica

no corpo

a desordem

os impactos das tantas mortes

um corpo que de tantos projéteis

não treme

o olho brota da esquina

a tragédia à espreita

o abismo certo

que provará


remédio, remenda

num ovo de cerzir a velha meia

acolchoa de algodão as articulações

os pés e orelhas

para dançar inteira

durante e depois


escura pintura

a rotação do tempo da mata

o pé no chão

é suficiente pra trazê-la


vou espreitá-la à altura

de canivete

pois em lâminas vai me receber

me rasgar conivente

ao longo da medula

eu rasgarei

altabaixo seu desmesurado tronco

afundar abraçada

ao quente do caos

Julia Jota

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condenada ao genuíno

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