Jul 22, 2017 · 1 min read
normocrônica
no corpo
a desordem
os impactos das tantas mortes
um corpo que de tantos projéteis
não treme
o olho brota da esquina
a tragédia à espreita
o abismo certo
que provará
remédio, remenda
num ovo de cerzir a velha meia
acolchoa de algodão as articulações
os pés e orelhas
para dançar inteira
durante e depois
escura pintura
a rotação do tempo da mata
o pé no chão
é suficiente pra trazê-la
vou espreitá-la à altura
de canivete
pois em lâminas vai me receber
me rasgar conivente
ao longo da medula
eu rasgarei
altabaixo seu desmesurado tronco
afundar abraçada
ao quente do caos
