réstia

ai, cidadão

o quanto foi andado nestas quadras coloridas

sem saber que nela nós não éramos

vimos ao longe as pontes incendiadas

e o que faríamos nós?

nossas retinas queimadas de exílios

éramos pontes que já não existiam e éramos rio

nostálgicos de águas passadas

boiando afora pilares em brasa

era noite, não era? e as traves constelas

pedaços de pontes, estrelas que a noite tragava

ouve cidadão

o ronco que não cessava, agora cessa

as antigas pontes não se atravessam

arcos e formas que não se completam

ineficazes geometrias

e se completam

andando mais em esferas estranhas

andam os loucos no ar

em pontes que não existem

andam os loucos no ar

atravessando

largando no rastro breve réstia

vejo-te grande cidade

aguaarda em ti o teu mistério

encerra a noite, encerra e erra

boiando afora pilares em chamas

erra quando afirma

erra quando nega

talvez os loucos atravessem

talvez eles queimem e caiam

um rastro breve, uma réstia que risca

que nem estrela cadente

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