Solidão Obrigatória

Das piores coisas do meu mundo, poucas são piores do que me sentir obrigada a ficar na minha própria presença quando quero estar imersa em outras pessoas. Poucas são piores do que a sensação de ser deixada de lado, do que ter a certeza de que minhas expectativas em relação às pessoas que convivo são irreais.

Sou de leão. Protejo os meus de forma feroz. Faço tudo por quem eu amo, a qualquer instante e em qualquer lugar. Me divido em mil, enfrento qualquer um. O único problema disso é que o meu - tão famoso - ego inflado espera o mesmo de volta. E quando digo que espero o mesmo, quero dizer que crio todas as expectativas possíveis imagináveis de que isso é verdade. Mas não é.

Como consequência vem a decepção, a sensação de solidão forçada, o medo de nunca encontrar reciprocidade, o pânico do “ninguém liga pra você”. Sai de baixo! É agora que o coração aperta e as lágrimas transbordam. Quantas lágrimas! Dias de choro a fio. O drama personificado numa hipérbole viva. Com toda razão, é claro.

Quando a gente escolhe a estar sozinho em si não há nada que preencha mais. A gente sabe do que gosta, do que quer, de como quer. Sensação maravilhosa se sentir completo, traz força e independência. Mas quando se é ~forçado~ a isso, é um 360 que faz tremer. Vem o medo, as angústias, a ansiedade, o pânico, as duvidas – infinitas duvidas -, tudo de uma vez.

É nessa hora que as inseguranças vem na sua forma mais pura, te pegam de guarda baixa e coração mole. Fugir pra onde? Não tem saída. A solução é enfrentar. Refletir sobre o que tá preso lá dentro. Tentar evoluir pra que nada disso afete mais. É hora também de pensar naquela dúvida acerca do futuro, naqueles medos bobos, em jeitos de aprender a conviver consigo quando não há pra onde fugir.

Ainda não dominei nada disso. Não sou boa em escutar a razão. Sei tudo que ela diz, mas quem disse que faço? A emoção sempre tem argumentos mais convincentes. A razão mostra como é bom passar por experiências que incomodam. É pra isso que elas existem e tem que acontecer. Pra aprendermos a lidar e assim evoluirmos.

Quem souber o macete disso, me passa?!

Enquanto não descubro, escrevo. As lágrimas secam e o coração fica leve. As ideias continuam embaralhadas.