Sinto saudades, mas não quero ninguém de volta

Sinto saudade de muitas coisas que vivi. Sinto saudade de momentos, de sentimentos, de sensações. De pessoas, de lugares, de conexões. Na verdade sou um poço de saudades.

Adoro relembrar meu passado, contar minhas histórias, chorar minhas tristezas, e rir das minhas alegrias. De vez em quando, lembro-me de algumas situações com ex, com amigos do passado, com inimigos.

E gosto de dividir essas histórias com pessoas do presente. De contar como aconteceu, o que senti, como entendi o comportamento do outro. De rir, de chorar e até sentir raiva de novo. Relembrar os momentos de carinho, afeto, as demonstrações de amor, ainda que uma espécie de amor momentâneo.

Mas nem de longe quero voltar. Jamais. Gosto do que sou hoje, mesmo com minhas dores e dissabores. Gosto do que me tornei, gostei de mudar e poder guardar na lembrança todos os chorros, os amores acabados, os sorrisos de lado.

Conto minhas histórias de ex de forma terna, lembrando de algumas loucuras, momentos constrangedores e risadas sem explicação. Mas não quero de volta. Para ser sincera, as uniões passadas só se deram pelo que éramos, não somos eternamente suficientes ao outro. Mudei. Mudaram. Somos diferentes hoje o que torna quase impossível essa paixão. Me apaixonei pelo que eram e eles, pelo que fui.

Quero seguir a vida sem ter de apagar minhas memórias ou deixar de contá-las. Mas não quero ninguém de volta. Sou grata ao passado pelo que me deu, pelo que me tornou, e assim como disse o filósofo da tábula rasa: somos uma espécie de junção das experiências que passamos. Positivas ou negativas, fazem parte do que somos.

Tudo tornou-se uma saudade lúcida, gostosa, boa de sentir. E sem o menor anseio de virar realidade.

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