#umbelodiaresolvimudar — o início de uma jornada
Olha, se você está procurando algo motivador, com fotos antes e depois de uma pessoa gorda se lamentando pelo seu peso e pela sua triste vida, você está no texto errado.
Eu sempre estive gorda. Às vezes mais, às vezes menos. Desde criança eu tenho esse relacionamento conturbado com as minhas pernocas roliças.

Nasci com 4,800kg. A maior bebê do hospital naquele dia. Fui o bebê mais gordo de três que minha mãe já pariu. E todos acima dos 4 quilos. Deal with it!
Já pesei 118kg. Já pesei 85kg — que é meu peso “ideal”. PASME! Sim. Uma mulher pode pesar mais de 80 idealmente, veja você, que mundo cruel. E você aí, tentando manter os 65, hein? hihihi
Meu manequim nunca diminui além do 44/46 mesmo eu estando MAGRA. Magra mesmo, tá?
A verdade é que, pra concepção “do mundo”, não importa o que eu faça… eu sempre serei gorda. Ou gordinha. Ou cheinha. Ou PLUS SIZE. OH FUCK! Como eu odeio esse termo…
Mas, enfim. Por mais que eu emagreça pra cacete, eu nunca vou passar dos 80 quilos. E por uma série de motivos que um exame chamado bioimpedância me mostrou. O principal deles é OSSOS LARGOS. Tá vendo como isso não é desculpa de gordo?
Se eu pesar 70 quilos, provavelmente estarei deitada numa cama de hospital porque 65 quilos do meu corpinho são de órgãos e músculos, ou seja, as coisinhas BÁSICAS que eu preciso pra sobreviver lindamente MAIS a massa gorda que todo mundo tem que ter (um atleta, por exemplo, deve ter de 5 a 10% de massa gorda em ‘estoque’. Pessoas comuns, de 18% a 25%).
É lógico que eu tive que lidar com gente babaca e molequinho escroto durante toda minha vida. Já fui chamada de gorda muitas vezes. Quando eu era mais jovem, ficava meio triste, é verdade. Mas nunca permiti que gente do mal plantasse sua podridão em mim. Já basta a eles a infelicidade de serem quem são.
Sempre namorei e fiquei com pessoas muito legais. E, veja vocês, hoje sou uma senhora casada. E sendo assim ó, do jeito que eu sou: com bochechão, pernocas roliças e tudo o mais.
Sempre estive envolvida em alguma atividade física: fiz ginástica olímpica, balé, handebol, voleibol, natação, musculação, hidroginástica, muay-thai, yoga, pilates, funcional; sou muito ansiosa, então mexer o corpo sempre me ajudou bastante.
Então tirem da cabeça o estigma de gordo-bonachão-esparramado-no-sofá, ok?
Ser gorda nunca foi algo que me impediu de nada. Nem de namorar, nem de casar, nem de paquerar, nem de rir, nem de viajar, nem de trabalhar, nem de fazer amigos e de ser legal. Nem de ser engraçadinha — coisa que eu adoro ser — nas fotos da minha lua de mel…
Tipo indo abraçar uma estátua dos Smurfs em Bruxelas:

Nem de ser fofa imitando um ursinho, em Berlim.

Nem de ser feliz no show do Faith no More.

Esses são pequenos exemplos da minha vida, que é bem maior que isso. Então, sinceramente, eu não posso jogar 26 anos de existência fora porque eu estive ou estou acima do peso. Não vou escrever um depoimento depressivo, dizendo que a “gordura aprisiona o meu espírito magro” e mimimi.
É claro que eu adoraria caber nas calças da Zara ou numa saia linda da Farm. Adoraria usar uma camiseta de banda tamanho G feminino. É uma merda não encontrar roupas legais. É uma merda experimentar um monte de coisa e sair do provador suando. E eu amo moda, estilo, roupas… sente o drama.
Eu não posso diminuir quem eu sou e quem eu me tornei até aqui por ser gorda. Eu sou maior que uma característica física. Eu sou a Júlia.
Mas, apesar de tudo isso, acredito que a gente sempre pode ser melhor. Uma versão evoluída de nós mesmos simplesmente porque NÓS merecemos.
Apesar de ser muito bem resolvida com relação ao meu excesso de peso, sinto que ele está além do que meu corpo pode aguentar. Não aguento correr e sequer andar direito, meu joelho já tá começando a dar um estalos estranhos, tenho me sentido letárgica e mais preguiçosa que o normal, enfim… meu corpo está dando sinais de que eu não estou no caminho certo. E que ele pode começar a falhar mais pra frente.
E, principalmente daqui pra frente eu não desejo que ele falhe. Sou mulher. Pretendo ter filhos daqui uns 4 anos. E espero que meu corpo esteja saudável para receber uma nova vida.
Mas, além disso, quero estar bem. Saudável. Quero ter uma vida plena, cheia de energia e disposição. Coisa que não tem acontecido de dois anos pra cá.
Tenho que lidar com os demônios da compulsão alimentar, algo que me assusta todos os dias. Tenho que lidar com a preguiça de fazer jantar saudável. Tenho que lidar com a preguiça de acordar cedo pra fazer ginástica. Porque eu sou humana. Sou igual a você, aí do outro lado da tela.
E por isso que resolvi usar minha facilidade de escrever para criar esse espaço. Porque eu realmente sinto falta de um espaço onde uma pessoa gorda e bem resolvida fale sobre vida saudável, hábitos bacanas e assuntos relacionados à isso sem entrar na nóia da academia, do whey protein, do frango com batata doce… Ai que preguiça.
Quero falar sobre mudança de vida, de estilo de vida, de uma maneira mais real. Eu não sou patrocinada por nenhuma academia nem mercado, logo, tudo é proveniente do meu sustento. Nem ganho roupinha de graça e também não tenho uma pessoa que cozinhe pra mim. Trabalho das 09h as 18h, de segunda a sexta, tenho uma casa pra cuidar e AMO comer e AMO beber cerveja. Não quero e nem vou abrir mão disso.
Então queria mostrar que é possível se cuidar — de uma maneira GERAL — sem neura, sem nóia fitness… Sendo natural, falando sobre pontos específicos que são inerentes à qualquer um (tipo preguiça, tipo fome, tipo cansaço) e abrindo um espaço para que juntos possamos descobrir um caminho do meio: sem nóia fitness e sem obesidade mórbida. Algo que seja o equilíbrio entre a loucura e a desistência. Algo do bem.
Falar sobre corpo e mente integrados. Saúde física, mental, espiritual, psicológica. Tá tudo ligado por um fiozinho invisível, acredito piamente nisso.
Trazer discussões interessantes, conhecer profissionais bacanas, que possam ajudar nós, pessoas normais e atarefadas, a encontrar esse meio termo na loucura que é se alimentar direito e encontrar uma modalidade esportiva pra chamar de sua.
Prometo não ficar maluca daqui há algum tempo e sair pra malhar as 3h da manhã, tá? Vou continuar sendo essa pessoa gordinha e simpática pra sempre.

Vem comigo? Você vai poder acompanhar a minha jornada também no Instagram: instagram.com/juliameirellesg.