A maternidade de um pai

Ele não a carregou dentro de si, mas até que arranjaria espaço se precisasse. Não sentiu seu primeiro movimento com exclusividade, mas quando sentiu parecia a comemoração de um gol.

Quando chegou a hora, ainda faltavam algumas horas, lá estava ele sem saber se fazia mala, tomava um banho, avisava no trabalho ou simplesmente esperava. Não foi ele quem chegou primeiro na sala de cirurgia, mas no momento certo de recebê-la na sua estreia no lado de fora. Sua emoção foi instantânea, bastava pegar no colo para o choro vir fácil, era lindo de ver.

Nos primeiros meses, ele não podia alimentá-la e se apegava a todo o resto que podia fazer por ela, e por nós, para suprir essa sua falha. Passou um mês de férias em casa, apenas para me dar toda a segurança para eu enfrentar o mundo lá fora depois de certo tempo. E fez a sua parte para garantir que ela tivesse leite materno com exclusividade até o seu 6° mês como manda o figurino. E não é que conseguimos?

Hoje, no primeiro dia das mães da minha vida com B, me desafiei a escrever como me sinto em relação a maternidade. Depois de muitas tentativas, cheguei a conclusão de que não poderia falar de maternidade sem falar dele. Porque esse grande projeto é tão meu quanto dele, é nosso. E é uma honra viver tudo isso ao seu lado.