Ser (des) conectada

Tenho um vício! Ler toda quarta-feira a coluna do Ivan Martins no site da Época. Na semana passada, o texto Por que (ainda) estou no Facebook trouxe uma reflexão sobre o uso das redes sociais, especialmente do Facebook, desde o tempo médio gasto (em 2016, 50 minutos diários) até a qualidade do conteúdo que consumimos.

Esse texto me fez voltar 3 casas. Lá em 2014, ano de Eleições, de Copa do Mundo de Futebol e de muitas outras coisitas mais. Ano em que abandonei minha conta no Facebook. Controverso se pensar que trabalho com isso. Uma decisão muito bem pensada durante algum tempo, mas repentina e executada da noite para o dia. Pronto, #JúSemFacebook. O (s) motivo (s)? Até me deparar com o texto do Ivan, não sabia explicar muito bem.

Sou a favor da troca de ideias e gosto de conhecer opiniões e pensamentos contrários aos meus, mas o debate deve ser saudável e contribuir para que as pessoas entendam o verdadeiro significado de respeito. Ainda em 2014, comecei a ver os sinais de que o espaço do Facebook estava sendo mal utilizado nesse aspecto. Como o Ivan registra em seu ótimo texto, “…as pessoas estão se esforçando para produzir comentários políticos cada vez mais agressivos. Quanto mais ofensivo e insultuoso, mais curtidas e compartilhamentos terá o post…”. Motivo #1

Quem não gosta de stalkear que atire todas as pedras. Eu me divirto, mas é claro que não cometo esse pecado digital com muita frequência. Também não sou contra a exposição nas redes sociais, porém tudo tem limite. Me aproprio das palavras do Ivan, que são melhores que as minhas, para explicar o Motivo #2: “…temos propensão psíquica a falar demais de nós mesmos e a desejar saber demais sobre a vida dos outros. Sem esses dois elementos negativos o Facebook não existiria”.

Tempo, tempo e tempo. Aquele que a gente quase não tem, ou não sabe muito bem como administrar, talvez porque não seja possível domá-lo. O Motivo #3 escancara um “problema” da vida moderna: a nossa necessidade de nos manter antenados, a postos, prontos para disparar algum comentário e estar ali com o celular em mãos nos permite estar ligados 24 horas por dia. O tempo, que não tem nada a ver com isso, vai nos deixando pelo caminho.

Bichinhos de Jardim — Clara Gomes

Durante os três anos que se passaram, naquela velocidade da luz de sempre, nunca senti falta de estar no Facebook, mas abandoná-lo não garantiu que eu me tornasse um ser desconectado.

Gosto de estar conectada, mas comecei a me incomodar um pouco com a minha forma de lidar com as redes sociais depois de me tornar mãe. Durante minha licença, era um olho na Bia e outro no celular. Mesmo depois de retornar ao trabalho, estar com o celular ao meu lado, trocar mensagens e checar a vida alheia no Instagram me fazia ficar dividida. Certa vez, num desses dias que a gente não compartilha no Instagram porque obviamente ninguém se interessa em saber que a minha bebê fez um drama federal de quase duas horas para conseguir dormir (sem mamar), dei um grito. Comigo, com ela, com o Universo. O susto que ela tomou fez doer meu coração.

A partir daí, decidi mudar. Me identifiquei com a história de uma mãe que escreveu a respeito de gritar com os filhos. Não era necessário tomar nenhuma atitude extrema, como cancelar minhas contas em outras redes sociais nem mesmo desinstalar o whatsapp, mas era importante mudar. Meu compromisso era me tornar um Ser (des) conectado durante os 40 minutos diários que me sobram com minha filha antes dela cair no sono (esse é outro drama da vida moderna que ainda estou tentando descobrir como aceitar).