AMOR BOM É AMOR LEVINHO

Quantas dificuldades você vive em um único dia? O quanto quase tudo é tão pesaroso e difícil? Como temos de encher-nos de dedos e travas para tratar com tanta gente? O projeto, a reunião, o trânsito, as contas. E ainda há o bombardeio de tragédias a que somos expostos todos os dias. As lutas, as causas, as guerras, a vida.
Quem de nós nunca chegou em casa e, ao se deparar com o (a) parceiro (a), teve o ímpeto de engatar a ré, fechar a porta e voltar para a rua? Mau humor, intolerância, cobranças, discussões infindas e todo o kit fazem de um relacionamento uma torturante prova de resistência. O frescor dos primeiros meses, a paixão e o encanto, muitas vezes, são substituídos por um enorme peso.
E quem suporta viver assim? Ter de lidar com realidades pouco amigáveis lá fora é inevitável pra muita gente; mas fazer de um relacionamento um fardo é morte lenta. Será possível não nos acostumarmos com aquilo que não nos faz feliz? É preciso muita coragem para dizer “não” a uma relação fadada ao fracasso e à frustração. Quanto vale a sua paz? Qual é o preço de uma vida leve?
Todos sabemos que a rotina é um desafio dos grandes; ela nos encobre com uma poeirinha fina que adia papos furados, impede que admiremos a lua bonita, que peguemos a estrada num domingo de sol, que percamos tempo para escrever um carta de amor. Talvez seja mesmo ilusão pensar num amor que sobreviva à vida concorrida que levamos. Mas prefiro acreditar que vale o risco.
Por isso, quando o amor bater à sua porta, vista seu melhor vestido, a camisa mais bonita, solte os cabelos, permita-se dançar ao som da melodia dele. Já que a rotina é inevitável, façamos dela uma aliada. Tenhamos nós a leveza para que segundas tornem-se sextas, sopinhas transformem-se em banquete e noites de quarta abriguem encontros românticos. Porque de pesada, já chega a cara feia que o mundo nos oferece em tantos momentos. Amor, amor bom mesmo…ah…esse tem que ser levinho!