AMOR: DAS COISAS QUE NINGUÉM ENSINA

Não importa o modelo através do qual você tenha sido criado. Tanto faz o tipo de relação que você possa ter estabelecido com os seus pais, irmãos, avós, tios, primos. O número de amigos de verdade não acrescenta muito. Pouco contam os dias incalculáveis que passou nos bancos da escola, os inúmeros livros que leu, os cursos bacanas que ostenta no currículo. Sobre o amor, há uma infinidade de coisas que ninguém ensina e uma enxurrada de pequenas verdades que ninguém conta. Nessa estrada, você passa sozinho. Alguns podem até fazer companhia, mas as histórias, os dissabores e as delícias que a constroem só podem ser vividos por nós mesmos. Unicamente.
Ninguém ensina que amor acaba. Aquela velha máxima de que amor de verdade é eterno não passa de balela. Amor nasce, cresce, toma forma, pode esgotar-se e morrer sim. Amor sem dedicação, sem investimento, tratado com desinteresse e descaso, morre. Amor empurrado com a barriga, esmagado pela rotina, pisoteado por desgaste, morre. E ainda, embora não seja bonito de dizer: amor morre porque sim. Lidemos com isso.
Ninguém ensina que muita coisa vai dar errado. Você vai se envolver, vai acreditar, vai fazer planos e a coisa pode não vingar. Sim, babacas existem aos montes e a chance de cruzar com um (ou uns) no meio do caminho é grande. O segredo talvez seja munir-se de amor próprio e boa autoestima. Vai doer menos.
Ninguém ensina que casamento pode ser complicado. O dia-a-dia sufoca, a convivência é desafio dos grandes. Aquela imagem gracinha do casal que toma café da manhã cantarolando “All happy day” enquanto come torradas quentinhas não é tão comum assim. Grande parte dos dias é composta de segundas-feiras mornas, contas a pagar e um bando de obrigações. Ainda assim, muita gente é feliz, recomenda e assina embaixo. Tem um montão de casais mega fofos que é muito melhor junto do que separado. Multipliquem-se!
Ninguém ensina que sexo é, de fato, importante. Intimidade vai muito além da cama, mas poder falar sobre o assunto sem tabus, sem melindres faz toda a diferença. Transformar o ato em uma saborosa brincadeira em que tudo é válido, prazeroso e divertido, pode garantir uma leveza considerável para a relação.
Ninguém ensina que o que vale no final das contas não é o corpão sarado, a roupa da moda, o cabelo irretocável. Tudo isso é lindo e sedutor, não se discute, mas o que a gente quer mesmo é ter vontade de voltar pra casa. Sentir saudade de um colo específico é uma das coisas mais deliciosas que existe. Ter uma companhia agradável e divertida é loteria. Bom humor é um dos maiores afrodisíacos que há.
Ninguém ensina que ninguém vale a sua paz. Angústia por um telefonema, mãos suadas por uma mensagem não respondida, dor de barriga por brigas recorrentes. Nada, absolutamente nada, paga a sensação de vida tranquila, coração leve e cabeça fresca. Sofrimento é inevitável, mas acostumar-se com ele é escolha!
Ninguém ensina que paixão passa. É um grande senso comum, mas… Relacionamentos são compostos de fases: haverá um dia (ou dias!) em que você vai olhar para o(a) seu(sua) parceiro(a) e não se sentirá apaixonado(a). Vai dar vontade de olhar para o lado e talvez você olhe. Permanecer em um relacionamento é uma opção que se faz diariamente. Enquanto a vontade de ficar for maior do que a de partir, a gente vai ficando.
Ninguém conta que cuidar da gente mesmo é o maior investimento que se pode fazer. Fazer de si alguém superinteressante pode ser um caminho inteligente para ser feliz a dois. Ler mais, viajar mais, exercitar-se mais, rir mais… Tudo isso faz da gente alguém que desperta olhares. E, acima de tudo, sentir-se bem consigo mesmo é sempre uma receita de sucesso, seja para estar sozinho ou acompanhado. “É impossível ser feliz sozinho” só vale em letra de música.
E, por fim, ninguém ensina que vai dar trabalho. Essa travessia amorosa pode ser demorada, custosa e cansativa. A gente cai ali, levanta aqui, se atira da janela algumas vezes, desiste outras tantas. Mas a verdade é que quase sempre damos um jeito de voltar à estrada, ajeitar a mochila nas costas e não perder essa mania esquisita de acreditar no amor.