Íntimo

A intimidade de uma convivência frequente, da derrubada de muros, proporciona a saída dos outros seres humanos das categorias unilaterais nas quais os colocamos no primeiro contato.

Uma história de infância: quebrei o queixo correndo em um salão de festas com o piso escorregadio.

Um conto diário: cheguei cansada do trabalho. Vou ver um filme.

Uma história de amor: tive um relacionamento a distância. Foi bom. Somos amigos.

Uma reflexão sobre o medo: não tenho medo de morrer. Meu maior medo é continuar viva vendo quem eu amo ir.

Uma neura momentânea: não vou conseguir trabalhar no que quero. Vou decepcionar todo mundo.

De repente, vemos seres humanos complexos a nossa frente. Gente que a gente pode amar ou odiar, mas acima de tudo compreender. Compreender que somos, apesar das enormes aspirações à perfeição, falhos. E que estamos tentando melhorar, quase todos nós, estamos sujeitos a tudo o que vivemos e pensamos, mas também às possibilidades abertas.

A intimidade é isso: é um elo através da palavra. Não de qualquer palavra, mas a aberta, sincera, devota. As vezes uma frase com 5 palavras diz mais do que horas de conversa de coração fechado. E conforme o tempo passa, vamos começando a enxergar o quão complexo aquele ser humano é. Além dos próprios erros existem as justificativas. Além dos acertos existem as falhas passadas, aquilo que fizeram ou deixaram de fazer. A gente conhece tanto a pessoa e entende ela como ser humano e o que fazem vira uma parte complexa de quem são ou quem estão se tornando.

Mesmo quando deixamos para trás, os elos já formados nunca nos deixarão colocar essas pessoas em uma caixa novamente.