É preciso

Ali está Clarisse. Desnorteada pela luz do sol que invade seu quarto, tateia seu criado-mudo na tentativa de desligar seu despertador. São 5:30h. Correndo, ela vai para o banho. Toma apenas uma xícara de café e sai. Durante sua caminhada até a estação de trem, pensa sobre o que deve fazer em seu dia, suas responsabilidades. Acostumada ao seu trajeto, nem presta atenção ao seu redor. Apenas segue o mesmo caminho, que durante anos, se tornou o seu caminho. Sobe as escadas correndo, espera impaciente pelo trem. Como se estivesse entrando em uma lata de sardinhas, ela encontra um lugar no vagão e fica ali, bem ali, no único cantinho que consegue se encaixar. Finalmente ela chega em seu destino, aliviada, mas ainda é preciso correr para não se atrasar. “Olá, bom dia, como vai? ” — Diz Clarisse a seus colegas. Esses que durante anos a respondiam da mesma forma com “Muito bem, e você? ” — E a conversa só tinha espaço para saudações, o que não havia era tempo e interesse pelo outro, afinal, é preciso correr…para não se atrasar. O dia passa, as horas passam, e abitolada em seu trabalho, nem sequer lembra que está com fome. Faz tudo com presa. Não há tempo para se perder.

Finalmente volta para casa, cansada…mas olha só…esse era seu dia de sorte, o vagão do trem estava vazio…vazio.

Ali está Clarisse. Sentada, pensando nas suas responsabilidades de amanhã, pensando que, quando chegar em casa, não pode perder tempo, é preciso dormir cedo, porque amanhã é preciso acordar cedo, porque é preciso correr…para não se atrasar.

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