Adedonha

Adedonha sempre foi um dos meus jogos favoritos da infância (junto com o Jogo da Vida). Separar categorias, pensar rápido e fazer listas são pontos tão fortes em mim que deveria considerar citá-los em uma entrevista de emprego. A ideia de ter controle, mais que o controle em si, é sedutora principalmente no caos de uma vida que não se apresenta em seções de produtos de supermercado.
Gostava de adedonha porque não precisava de muita habilidade, precisava sim de jeito, de entender as regras e brincar sempre com elas. Você não usa gato pra letra “G”, porque é muito óbvio, mas pense bem no guepardo diferentão que ele pode ser a opção exótica de outra pessoa e você acaba apenas com 5 pontos na mesma. Girafa parece uma melhor escolha, aquele meio termo entre o óbvio e os documentários da Discovery Channel. Pense sem pensar demais, porque talvez pensando muito você perca a vez.
Se isso não é uma analogia à nossa própria vida, eu não sei o que é. Crianças trancadas em uma casa em um dia que provavelmente chove, com recursos restritos e imaginação escassa, procuram pelo pouco de diversão que papel e bic conseguem trazer.
Não tenho nada contra listas, sou defensora, apoiadora, incentivadora de listas. Supermercado, tarefas do dia, coisas para se fazer antes de morrer, coisas para se fazer e um dia viver, filmes, livros. Listas servem pra tudo, pra fingir controle e costume em qualquer lugar, o problema é que nem tudo pode ser lista, nem tudo se reduz a tópicos de bolinhas enfileirados.
Tópicos Utópicos
Quando procuro texto, farejo ideias, divirto o tempo, o que encontro aqui e acolá não são narrativas curtas e rápidas, são listas.
10 coisas para se fazer, 10 coisas para se pensar, 10 coisas para -parecer- ser. É tudo tão grande assim que só caiba em listas?
Nem venho aqui pra falar que é mais fácil de ler e que as pessoas cada vez leem menos. Dizer quem e quanto alguém tem que ler é mais do que intromissão na vida alheia, é supor que algo importante para você é compulsório para os outros(programação é a linguagem do agora, você é fluente? pois, deveria) . Suspeito que as listas existam porque é mais fácil de achar, porque o SEO traz conteúdo parecido e porque além das utopias existe sobrevivência.
A questão não é do porquê, mas do após. A lista mais serve pra ajudar ou é só um passatempo de uma tarde chuvosa?
