Linhas tortas

Sabrina Zerlini de Sá

Sempre sonhei em desenhar. O dom mágico de transformar projeções mentais em realidade físicas, transformar em concreto a abstração dos meus desejos.

Entretanto, a realidade é que não sei. Esboço homens palitos, com a incapacidade e a frustração de quem gostaria de poder mais, de sonhar mais alto. Escrever a história com linhas menos tortas.

A escrita serve como um subterfúgio, apenas isso. Queria quadros expostos em museu, imagens capazes de comunicar em qualquer lugar do mundo. Os desenhos não tem fronteiras.

Nas andanças da vida, encontrei uma desenhista. Designer ou qualquer anglicismo que o valha não representam a força que o desenho tem pra mim. Quando falo em desenho, penso em Maurício de Souza e Quino. Penso nas imagens atemporais que habitam um lugar seguro e divertido da minha memória. Não penso em marcas, em logos ou letreiros de uma cidade luz. Penso na criança que nunca sai da gente e que é sempre tão bom reencontrar nos outros.

Hoje é o dia da minha desenhista preferida, não por ter ilustrado os livros da minha infância, mas porque sei que irá rabiscá-la em um futuro próximo. Em tons pastéis ou cores quentes.

Desabrochando em flor ou rainha do pomar,o encontro entre a melhor forma e conteúdo.

Confio sempre no seu bom gosto, a harmonia é garantia certa.