Windows 10 e a arte da simpatia

O meu computador de anos quebrou e agora estou numa fase de adaptação com o novo que chegou.

Assim como na vida, controlamos muito pouco da tecnologia que nos cerca. Assim como aprendiz da arte de viver, sou uma analfabeta digital. Meu computador veio com o Windows 10 e não há nada a se fazer com isso.

Os sistemas operacionais que chegam e as situações com as quais nos deparamos nem sempre são as ideias. Às vezes se gosta de cara, às vezes só o tempo ensina a gostar. Em qualquer um dos casos, é sobretudo uma questão de afinidade.

O Windows 10 é uma novidade para mim, mas o que não ensinaram a esse sistema e a alguns seres humanos por aí é que amizade a gente não força, a gente conquista.

Toda vez que ligo o computador é a mesma coisa : uma imagem de algum lugar paradisíaco e charadinhas para saber se eu adivinho.

Bill (o Gates), é “sempre carnaval no Brasil”, mas no verão é mais ainda. Se eu estou aqui trabalhando em frente a esse computador, eu não quero saber de lugares paradisíacos, eu quero saber de fechar essas suas mensagens fofas e me jogar na praia (e oferecer esse computador a Iemanjá).

Eu não quero te perguntar alguma coisa, o que eu procuro saber você não pode responder. Desde os tempos do Clipart que você oferece ajuda e depois se faz de doido e não me responde. Para de fingir que se importa.

Simpatia é uma delícia, principalmente a que vem de pessoas, mas ela precisa ser autêntica. Mas autenticidade é uma coisa tão rara, que parece rabugice minha exigi-la ( não que não seja, veja bem).

Lembro de uma conversa com um conhecido que trabalha com vendas e que foi orientado para mandar mensagens de Boas Festas no fim do ano, daquelas padrões, só para o cliente lembrar dele. Muitos ficaram emocionados e agradeceram, porque foi a lembrança mais marcante do fim do ano.

Eu não sei quanto de solidão a gente precisa para se emocionar com mensagens padrão.

Eu não o quanto de contato com o novo Windows eu preciso me acostumar.

Eu não sei o quanto preciso usar de um mau humor de brincadeira para falar verdades.

Eu sei que a praia tá lá esperando e a autenticidade deve estar perdida em algum lugar do mundo real.