Cagadas do bem

Tava saindo com o Marcos*, um cara bem bacana. A gente se envolveu, se embalou, se entregou e só foi. Aí ele me convidou pra passar um fds com ele na praia e minhas amigas falaram “não vai não, deixa ele sentir um pouco sua falta”. Não fui. Depois fiquei sabendo que ele conheceu uma surfista lá e… é, ele pode ter sentido muitas coisas, mas minha falta ele não sentiu.

Aí eu conheci o Roberto*. A gente saiu pra comer alguma coisa e ele que tava sentado na minha frente, depois que foi ao banheiro sentou do meu lado. Clássica! Ele vai me beijar. Com um sorriso bobo, se aproximou de mim já fechando os olhos. Ele veio … veio … veio, foi chegando bem perto e… seus lábios sentiram o delicioso sabor do blush Dainty da Mac que eu usava aquele dia, já que eu virei o rosto. “Outch!” pensei comigo, me perdoando pelo ato involuntário. Mas será que ele vai perdoar essa? Quando me deixou em casa com os lábios cerrados e monossilábicos, constatei que aparentemente não.

Então veio o Dani*. Um amigo de um amigo de um amigo meu. Saímos em galera, aquela zoeira, comida, cerveja, ueeehhe, bléeeh. Até que ele me agarrou e me chamou de delícia, mas “aqui amigo, delícia é essa pizza que a gente tá comendo e NÃO EU!”. Ele ficou sensibilizado com tamanha sinceridade recheada de decibéis, e quis ir embora. “Poxa, talvez eu tenha sido meio enfática mas eu gosto de você”. Ele não só não ouviu como também pegou uma gripe, coitado, e nunca mais apareceu. Que erro!

Também teve aquela vez que eu fui ciumenta demais e dei chilique sem precisar. Teve a vez que falei mal da mãe do boy sem querer na frente dele. A vez que fingi estar numa expedição arqueológica no fundo do mar, só pra não atender as ligações de um cara mas depois me arrependi porque ele era bonzinho. Sim, sou um péssimo cerumano.

E aí bate aquela sofrência. Não pelos bophes perdidos, mas porque acabo acreditando que não levo jeito mesmo pra essa coisa de relacionamentos. Não sei, não posso, não dá, eu tentei genthy! Já posso ir pra casa?

Mas é nessa hora em que estamos voltando pra casa, cabisbaixas e com terçol no olho esquerdo, que esbarramos em um alguém. Aquele alguém que traz uma escola de samba pra dentro do seu coração, fazendo com que todas as cagadas anteriores tenham feito algum sentido. Com ele, você tem o comportamento “certo” sem pensar, as atitudes se encaixam sem esforço, e qualquer ameaça de cagada vira riso apenas com um pouco de sal, vento e sinergia.

Você passa a acreditar de novo no amor, e que tudo o que você passou até então foi apenas uma mãozinha te puxando, te mostrando o caminho das pedras e soprando nos seus ouvidos o maior dos clichês: o que é seu tá guardado.

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*Os nomes foram trocados por pseudônimos aleatórios para manter a integridade dos meninos do blog né gente, aqui não é E! Entertainment


Originally published at vamospravenus.com on August 6, 2015.

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