E ontem eu tomei coragem e saí, sozinha. Alguns convites recusados, mas eu peguei a marina (minha bolsa e melhor amiga agora), um shorts velho, a blusa mais cool possivel (cheia de gatos e do pelo deles), o meu velho all star de guerra e sai.

Coloquei o pé esquerdo pra fora do portão, respirei, olhei pros lados e andei até o ponto de ônibus. Esperei, esperei junto com dois senhores que não paravam de tagalerar sobre quando eram jovens ou algo assim.

Meu destino? Nem eu sabia. Mentira, tinha planejado tudo. Ir até um cinema cult da cidade, comprar um ingresso e assistir a um filme, sozinha, naquele escuro agoniante. Com pessoas do meu lado direito. Sim, direito. Sabe, eu sempre sento nas extremidades. Torcendo pra ninguém sentar do meu lado. Sem gustavo pegando nas minhas mãos, ou João pra eu deitar e me aninhar no ombro ou até mesmo Ana pra eu rir junto sem pudores.

De fato, descobri que não preciso me prender à ninguém pra estar viva.

Então eu fiquei lá, sentada olhando os créditos finais e absorvendo o sotaque francês de quem canta a trilha. Sem pressa. Lá eu sou Luna.