Amor-próprio, meu amor

Amor-próprio deveria ser matéria obrigatória na escola. Ou ainda aquele conceito do que devemos ter que nossos pais nos ensinam desde que nascemos. Deveria estar na mesma categoria de “inteligência”, “palavra”, “caráter”, “responsabilidade”…

Mas, na prática, não aprendemos a ter “amor-próprio”. Até aprendemos que devemos nos aceitar naquele dia que o cabelo não está muito bom, ou quando engordamos uns quilinhos.

Na verdade, esses conceitos são bem importantes, e fazem parte do “amor-próprio”, mas na verdade ele é muito mais amplo. Vai além da aceitação. É amor mesmo. É preocupação. É cuidado.

A primeira vez que ouvimos “você precisa ter mais amor-próprio” é quando terminamos um relacionamento, seja ele de amizade ou de amor. Mas, como assim? Amor-próprio? É difícil entender na primeira vez. E talvez seja também na segunda.

A cada vez as pessoas reforçam mais isso. Pare de chorar, pare de ir atrás, tenha amor-próprio. Aos poucos a ficha vai caindo. Amor-próprio não é o ato de querer ligar e não ligar, isso é orgulho. Não é o fato de se maquiar e postar uma foto linda cheia de hashtags mostrando que está aproveitando a vida. Nem tão pouco é se achar a pessoa mais incrível do planeta.

Amor-próprio é nem ter vontade de ligar, pois sabe que aquilo não lhe faz bem. É estar sempre linda, ainda que desarrumada, pois a felicidade irradia de dentro. É saber que ainda há muito o que aprender e evoluir, e correr atrás disso pra ser cada vez melhor.

Amor-próprio é escutar aquela música que você gosta no último volume. É tirar um dia pra comer aquele bolo que você ama sem culpa. É também escolher os melhores alimentos pra sua saúde. É marcar aquela visita ao médico pra descobrir porque sua pressão tem aumentado tanto. É ler um livro que te ensina. É gostar de ficar sozinha assistindo a um seriado.

Se na escola não aprendermos a nutrir o “amor-próprio”, mais cedo ou mais tarde, a vida aplicará uma prova. Provavelmente seremos reprovados na primeira. Na segunda chance, talvez fiquemos de recuperação ainda. Um dia aprenderemos a lição, pode ser que mais pela dor do que pelo amor, é verdade, mas passaremos na prova. E, para muitos, essa pode ser a mais difícil, e a mais importante da vida. Afinal, somos nossa única certeza do “pra sempre”.

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