Não me chegue com menos do que seu inteiro.

Não traga metades, pedaços, resquícios de você. Não esteja aqui se não for para estar plenamente.

Penso que talvez tenhamos certa dificuldade em nos abrir inteiramente; em experimentar, com tempo, o começo, o meio e o fim das coisas. Me pergunto se as relações-superfície, na qual estamos mergulhados, não são o efeito colateral de uma lógica pungente do estímulo atrás de estímulo, do instantâneo, da incitação curta e frágil, mediada pela tela, da falta de profundidades, de nenhuma contemplação — do em torno, de si, do outro.

Sinto falta de pessoas-abismo. De precipitar-me em alguém e vice-versa. Sem hesitar. Despencar mesmo que seja para sair pouco depois. Talvez nunca mais voltar… O importante é que o declive venha sem cordas, sabe? Sem a sensação segura da volta ao topo. Sem que se saiba qual a duração da queda e o tempo certo do retorno.

Chega dessa adrenalina débil que tem prazo manifesto. Eu quero quedas livres. Viver um milhão de coisas ao mesmo tempo me parece que é se atropelar e atropelar aos outros. É difícil, para mim, entender a lógica do um mais muitos ao mesmo tempo ou dos muitos mais muitos o tempo todo. A mim parece pouco, quase nada. É raso. Quantas profundezas conhecemos nessa história toda?

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.