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Não sei explicar o que foi aquilo.

Tudo aconteceu tão devagar pra ser lembrado.

O tempo não fazia sentido, nunca fez, muito menos ali.

O vento que batia nas poucas partes de pele que estavam descobertas fazia questão de me lembrar que eu estava viva. Que aquilo era real. Que tudo era real. O frio doía, e essa era sua gentileza.

Bruto e violento, mas gentil.

Tudo aquilo parecia entrar em mim, penetrar na minha pele.

Não sabia mais se era minha visão que agia. Tudo parecia inteiro. Via aquelas colores e sentia seu toque. Cheiro, paladar. Era tudo o mesmo. Sempre foi. Não há sentido na diferenciação.

Incansável, a beleza adrentava minha pele, tocava meus pulmões e bebia das minhas veias. Tomou de mim pra si. Eu só era o nada. E o nada era tudo pra mim.

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