Meu amigo, o banco de dados

O ano era 2010. Eu, recém incorporada ao corpo de professores da escola técnica onde até hoje leciono, fui designada a dar a disciplina de banco de dados para museus. Frio na barriga, insegurança e tudo mais que pode aparecer quando você é uma marinheira de primeira viagem e se vê diante de um assunto que me parecia algo obscuro à época.

Sete anos depois, e ainda lecionando essa disciplina, vejo que um amor nasceu dessa relação. Foi fácil e simples? Não. Foi amor à primeira vista? Não. Me rendi aos poucos, descobrindo como a própria história do desenvolvimento dos bancos de dados não é linear e mostra como nós, seres humanos, fizemos de tudo um pouco a favor da lógica da informação. E essa lógica, por mais complexa que seja, é linda.

Toda vez que piso em sala de aula e inicio um semestre, me vem à cabeça: como falar desse “item” que nos afeta diretamente todos os dias, e não só dentro dos museus, mas que muitas vezes é invisível? Como apresentar o universo da produção e organização da informação sem parecer abstrata demais?

A verdade, ao menos para mim, é que essas perguntas vão sendo respondidas ao longo do desenrolar das aulas. Nem sempre consigo o meu melhor, mas tento. Mas, algo que para mim é sempre importante ressaltar é que os bancos de dados são ferramentas extremamente importantes para a sistematização de uma coleção, não importando sua natureza arquivística, bibliográfica ou museológica.

No caso específico das coleções museológicas, os bancos de dados podem ser poderosos auxiliares na difusão (principalmente online) do conhecimento sobre os objetos. Pois, se por um lado os museus possuem os espaços consagrados das exposições para se comunicar com os públicos, por outro temos que admitir que ainda precisam correr uma longa estrada rumo ao acesso mais abrangente e contínuo de dados e imagens sobre os acervos.

Isso é, não deveríamos ter que depender somente de exposições para conhecer o patrimônio cultural que as instituições preservam, já que elas nos permitem apenas ter contato com uma parcela reduzida do que os museus costumam ter. Não deveríamos ter apenas as legendas para nos informar sobre os bens culturais. E quando falamos de ampliação de acesso às coleções estamos falando de um dever associado à função social dos museus.

Os bancos de dados, como já dito, fornecem a estrutura para que isso aconteça de forma mais ágil, adequada e compatível com a contextualização da informação.

Porém, um banco de dados não se cria sozinho. E ele, sozinho, também não vai resolver problemas endêmicos de ausência de boas práticas e políticas de acervo. Aliás, sua escolha e implantação muitas vezes trazem perguntas às equipes que são extremamente difíceis de serem respondidas, tais como: o que é esse objeto? Onde o colocamos? Como o classificamos?

Outro ponto também que gosto de ressaltar durante as aulas, é que bancos de dados devem ser pensados, desenhados e estruturados para atingir o longo prazo. Pensar nessas ferramentas apenas para demandas pontuais dificilmente dá certo. E aí mais perguntas complexas aparecem, tais como: o que é que queremos alcançar daqui a alguns anos? Como saber se estamos contemplando todos os campos de informação e funcionalidades que precisamos?

E é justamente por meio dessas perguntas que meu fascínio por esses instrumentos de representação da realidade aumenta cada vez mais. É um universo infinito de variáveis e possibilidades. Mas, se temos em mente o “para que” e “para quem” estamos fazendo isso, esse universo nos leva cada vez mais perto do nosso amigo, o banco de dados.

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