O vocabulário (des)controlado nosso de cada dia

Fonte: https://fundbox.com/blog/can-voicing-your-political-opinion-hurt-your-brand/

Os vocabulários controlados são peças importantes do nosso dia a dia. Muitas vezes não percebemos o quanto eles já se encontram presentes em nossas vidas, em suas formas mais simples. Afinal, não são as listas que vemos ao entrar em sites de comércio eletrônico uma forma de categorizar opções? E, com isso, nos ajudar a encontrar aquilo que procuramos?

E a falta dos vocabulários também se faz igualmente presente. Eu me lembro de uma experiência muito recente em que eu resolvi pedir um táxi para buscar algumas pessoas que eu conhecia, em uma região que, ao contrário, era completamente desconhecida pra mim. Coloquei o nome da rua no celular, vi uma resposta, chamei pelo aplicativo e esperei. E esperei mais um pouco. O mais estranho dos mundos foi quando o taxista, tendo chegado ao seu destino (a tal rua), me ligou e perguntou onde eu me encontrava. Não entendi nada, pois eu estava exatamente na rua onde ele supostamente deveria estar — e pelo mapa do aplicativo, ele estava!

Então ele, no alto da sua sabedoria de quem já conhece muito melhor que eu as ruas de São Paulo, me perguntou: você está na rua X da zona leste? Ao que eu respondi, entendendo tudo: não, estou na zona sul! E assim, após resolvermos o mistério, nos despedimos, eu sem meu táxi e ele, sem os clientes.

Agora eu me pergunto (e isso já bem antes da experiência do táxi), como deve ser para um interessado encontrar uma informação sobre um tema, sobre um autor ou sobre qualquer outra coisa em museus que não oferecem listas controladas (ou outras formas de vocabulários) como ferramentas de busca? Essa pessoa vai terminar como eu, sem achar o que queria, ou vai continuar procurando, crendo que após várias tentativas talvez encontre o que precisa?

Pensando nisso, creio que deveríamos sempre considerar a importância dos vocabulários quando falamos de acesso à informação. Na disponibilização dos parâmetros usados para organizar as coleções. Na facilitação do entendimento pelo outro (o público!) da nossa lógica tão interna de trabalho e sistematização de dados. Ou até mesmo na utilização da lógica do outro para melhorar a nossa.

Tudo isso pode soar como algo óbvio. Porém, aplicar essa obviedade à prática me parece que ainda é um obstáculo.

Por um lado é preciso mesmo reconhecer que os processos de construção de vocabulário controlado são, sim, complexos. Exigem de nós decisões a respeito do que vai ser termo preferido ou não e uma consciência profunda de que não somos neutros e nem isentos de pré-conceitos. No fundo, pedem de nós uma tomada de decisão diante da beleza livre da linguagem natural. E isso não é fácil. Mas, por outro, o que ganhamos em termos de visibilidade e difusão da informação é muito. Usando um chavão de propaganda brasileira, não tem preço!

Então, se o esforço vale a pena, o que nos faltará ainda para não deixarmos nossos interessados ficarem sem seus táxis?

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