A última memória triste de setembro

Quando terminamos, passei dois meses ouvindo as músicas mais tristes do Jake Bugg. Eu havia terminado com você. E quando se diz isso, o universo age como se fosse sua obrigação ficar bem. Por isso, desde aquela terça-feira eu digo ao mundo que você se foi. Desde então, ganhei um pouco mais de tempo. E continuo esperando. Como quem espera o efeito de um analgésico.
Mentir a mim mesma de certa forma não parecia-me incorreto. Afinal, correto a partir daquele momento era fazer com que desconectasse minha alma da sua a qualquer custo. Não poderia deitar-me sobre a cama e repetir que fracassei comigo mesma. Não era hora para discutir a minha interminável mania de me culpar por tudo. Era hora de fazer o que tinha de ser feito.
Tratei de deixar aquilo doer da mais impulsiva forma possível. Ainda digo que você se foi.
Escrevo uma história mais empolgante e conto-me todas as noites antes de dormir. Assim, posso dar por encerrado tudo o que aconteceu, ao invés de simplesmente assumir que eu deveria ter agido antes. Desta forma, não há mais nada a ser feito. É só esperar. Como quem ingere mais um analgésico sem esperar o anterior fazer efeito.
No início, não era nada decidido. Era apenas uma espécie de armadilhas. Uma das milhares que criei. Afinal, você era como um intruso, uma letra sem melodia e desprovida de qualquer sentido. Hoje, percebi que isso se tornou rotina. Uma teoria que acomodou-se aos meus pensamentos de tal forma como alguém que se entope de analgésicos caí no sono rapidamente. Fazem 16 meses que você se foi.