Ainda é amor

Desde que você se foi, as pessoas me dizem que eu deveria seguir em frente. Que a vida é muito curta e mais alguns clichês. Entre eles, o fato de que eu precisava de um novo amor.

Em todos aqueles momentos apenas gostaria de dizer o quanto todos os sentimentos que havia cultivado não eram substituíveis como telefones celulares pelo último lançamento de smartphone daquela marca que possui um marketing incrível. Não quero ter que ouvir sobre o que preciso ou alguma teoria que faça com que me desconecte ainda mais do universo.

Quando me apaixonei por você, gostava de dizer que havia me apaixonado pelo infinito e principalmente, por mim mesmo. E agora que você se foi, toda a minha tranquilidade caminha sobre fragmentos de teorias inacabadas. Tudo o que sei é que isso acaba um dia. Talvez na semana que vem quando precisarei ir até a farmácia renovar o meu estoque de comprimidos para dor de cabeça. Provavelmente daqui a dois meses após voltar do show da minha banda favorita. Me arrisco a dizer que poderia ser até mesmo amanhã, no caminho do trabalho. A verdade é que não possuir mais a certeza sufoca-me e acreditar que a culpa não é minha é como iludir-me da forma mais baixa possível.

Parece-me que no meio de tudo isso só existe uma coisa perfeitamente intacta. Minhas definições sobre o amor e em contraste a elas tamanho despreparo para desprender-me delas.

Amor foi quando dancei com você naquela festa em janeiro. Lembro que até então, detestava dançar e duas músicas depois, refiz-me na coreografia mais atrapalhada daquela noite. Amor foi quando você insistiu em usar aquele óculos de sol para patinar no gelo apenas porque combinava com o teu vestido e lá fomos nós. Amor foi quando seu aniversário estava chegando e fui dominado pela ansiedade e na semana seguinte decidi vender seu doce preferido nos corredores do colégio por um preço acessível e acompanhamento dos meus diversos poemas dedicados a você. No final daquele mês, cobri seus olhos no dia em que fomos ao Parque e vi a felicidade na sua forma mais bonita quando foi surpreendida. Amor foi quando me vi trocando minha playlist de mpb pelo álbum da sua banda favorita. Até hoje, nunca consegui decifrar se fui envolvido pela melodia ou pelo fato delas fazerem com que eu recorde a sua euforia e o brilho nos teus olhos cada vez que escutava a tua musica predileta. Amor foi quando andamos pelas ruas daquela cidade que mal conhecíamos apenas porquê você e sua mente cheia de ideias inventaram que precisávamos aprender a fazer uma salada de frutas. Amor foi quando esqueci o relógio por alguns segundos apenas para terminar de assistir com você um episódio de um desenho animado que você assistia pela primeira vez.

Há tempos não ficava deitado desse jeito. Esparramado. Debilitado sobre a cama. A mesma cama que acolhia todos os as minhas angústias, há um ano atrás. Digo a mim, que tudo ficará bem e viro para o outro lado a fim de conseguir dormir por mais algum tempo. Eu estou me matando. Novamente.

Não faço a menor ideia do que sentir. Apenas penso que está cedo para deixar-te ir. E permito-me desfrutar deste árduo sentimento. Posteriormente, crio uma, duas ou três teorias. Descobri que a minha mente suporta muito mais que leis de formação. Suporta e sustenta a mais inesquecível de todas as teorias.

Eu, sou como um dançarino. Dançarino aprendiz. E você? Você é a magnifica professora que não quer mais coreografar.

Amor foi quando me despi nas linhas deste texto a fim de mostrar o quanto você ainda está em mim. Ainda é amor.

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