Análise sobre o sentir: O sentimento e minha particularidade

Sempre que a angústia acaba dando origem a lágrimas tenho uma incrível tendência a fazer análises. Essa é mais uma análise. Provavelmente se eu pudesse junta-las em um único livro esta seria a introdução, ou o primeiro capítulo. Ainda sim, é difícil tomar liberdade para se permitir debater sobre o modo que sente.

Vejo graça no modo como permito-me sentir. E beleza. Não necessariamente no que sinto mas, por permitir-me. Vejo graça na possibilidade de embriagar-se em algum sentimento. Enxergo isso em todos os cantos e faço e refaço milhares de análises. Talvez seja por isso que goste tanto de versões cover.

Precisamos estar dispostos a dar atenção aos nossos próprios problemas assim como fazemos com os dos outros. Questione-se. Permita-se criar possibilidades. Decida algo. Mesmo que começa daqui a algumas horas. Não sufoque nada do que sente. Torne-se uma boa companhia tanto para sua própria felicidade quanto para seus momentos de tristeza. O que pode parecer mais um parágrafo de tutoriais de auto-ajuda torna inevitável não conectar-me a ele. Sempre gostei de conversar. Junto a isso, sempre existiu um certo receio. Acredito que seja normal, se preocupar com alguns aspectos as vezes, como por exemplo: Será que realmente estou ajudando? Ou coisas assim. Quando permiti abrir minha mente e coração a mim mesma percebi que talvez fosse a única conversa da qual sempre podia controlar. Posso decidir esquecer aquela angústia enquanto canto uma canção aleatória de mpb que fala sobre qualquer história, apenas para distrair. E mais tarde, posso retomar o assunto e debate-lo mais vinte vezes.

Constantemente penso sobre o quanto ainda posso mudar. Já outras, se devo mudar. Uma corda parece sempre nos puxar para a zona de conforto. Sinto algumas coisas de modo estranho. Parece-me confuso tentar usar esse termo para algo que não seja negativo. Mas continuo tentando.

Conheci pessoas que eram absurdamente explosivas quando sentiam ciúmes. Outras que choravam sem pudor e aquelas que se vingavam. Foi então que parei-me a fim de tentar me encaixar sobre uma dessas definições. Confesso que no início manipulei-me a gosto de cada uma delas com a intenção de tentar entender. Tempo depois, percebi que havia criado um sentimento de posse em relação a meus sentimentos. Quando a indecisão faz morada tenho tendência a achar que encaixo-me no grupo dos que choram sem restrição quando na verdade, a insegurança faz com que eu sinta como se eu mesma estivesse me afogando.

A culpa é sempre minha. Ou da insegurança. Todos nós não possuímos grandes amizades com algum sentimento. Você pode culpar o amor pela sua mudança absurda de hábitos e detesta-lo por não conseguir fugir de tudo isso. Já ele, pode culpar a timidez por raramente fazer amizades e detesta-la por nunca saber desenvolver conversas. Mas você ainda ama toda a sua energia e a admira por conseguir sair de casa todo o final de semana. E ele, ainda sim ama sua facilidade para aprender violão e a admira por conseguir aumentar seu repertório todas as quintas-feiras.

Parece-me estranho tentar aceitar que preciso apaixonar-me pelas minhas próprias particularidades. Mas continuo tentando.

Queria ser criança em relação a algumas coisas que sinto. Não levando-as como se fossem brincadeiras, mas encarando-as com sinceridade. Carrego-as todas embaixo do braço, desorganizadas e misturadas. Todas elas são minha responsabilidade, até aquelas que apareceram pelo caminho. Queria deixar de admitir com que eu sempre me sinta culpada. Queria poder divertir-me correndo por aí, sem me preocupar. Mas carrego-as por ai em passos lentos e cuidadosos. Como se tivéssemos uma relação de posse, onde em qualquer situação, eu assumisse a culpa pela negatividade produzida.

Parece me estranho pensar que preciso entender-me para entender o mundo. Mas continuo tentando.

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