As vezes que me apaixonei por você

A primeira vez de tudo. A primeira vez que nos vimos, onde eu vestia uma blusa branca e um ar de nervosismo, como se meus olhos já conhecessem os seus a tanto tempo e tudo aquilo fosse saudade acumulada. A primeira vez que me fizestes provar açaí e descobrir que mesmo em uma praça de alimentação lotada, meu coração só tinha olhos para você.

Quando dissestes que me amava pela primeira vez, e sequer sabíamos onde estávamos. Foi como se precisássemos literalmente nos perder para que encaixássemos de vez um no outro. Quando impulsivamente cruzei meu braço ao seu dando origem, minutos depois ao nosso primeiro entrelaçar de mãos. A primeira vez que deitamos juntos, fazendo do silêncio a atração principal do festival que chamamos de nós.

Quando fomos a feira do livro e percebi que mesmo andando durante a tarde toda, ainda iria com você para qualquer lugar. Quando passamos a tarde no Gasômetro observando os passeios de barco sentados sobre um árduo sol que sequer parecia incomodar. Afinal, estávamos entre eu e você. O resto, sempre foram apenas os convidados da festa que é o nosso amor. O momento em que passamos nosso primeiro dia dos namorados sobre as luzes da Casa de Cultura e me fizestes perceber a nobreza de cada encontro entre os sentimentos bonitos que carregamos. Se o amor é decorrente da paixão, talvez isso explique a escala de felicidade durante o sábado e domingo.

Segunda, terça e quarta. E todos os outros dias em que fazes meu coração dançar com as mais lindas provas de amor. Quinta e sexta. Durante os preparativos para o encontro que esperamos a semana toda. Quando os hóspedes são bons, a felicidade adianta a visita e preenche cada canto com seus adereços a fim de mostrar o quanto sente-se confortável.

Mês passado. Essa semana. Anteontem. Ontem. Hoje, quando nos encontramos às 14h27 e descobrimos que os olhos conversam fluentemente a linguagem da saudade.