Coreografia pós-amor

Ela dança sobre meus pensamentos nos momentos de tédio, torna doce o gosto da angústia e refaço novamente minhas conclusões. Pela milésima vez, conto-me a mesma história, como quem tenta acalmar um pobre coração que sempre sabe o seu verdadeiro desfecho. Meu orgulho não visitaria passado mas, minha saudade mudaria facilmente o presente, de forma tão simples como um sorvete derrete sobre a mão de uma criança.

Sua presença era como embalar meu coração ao som de um hino indie rock e a ausência de sua inconstância é a escuridão que invade a minha vontade. Sinto-me como se ela ainda estivesse bem aqui, e ela está. Sou fragmento dos seus sonhos jamais realizados. Satélite que já não orbita como antes mas, mantem-se fiel ao seu planeta.

Hoje sou definição encontrada em uma melodia qualquer, refaço minhas orações todos os dias de modo a mante-la viva. Vejo fogo em seus olhos, é a interminável canção da qual não cantamos mais juntos. Refez suas defesas e desarmou-me em um ato de desespero. Há peças do meu verdadeiro eu sobre os cantos da cidade, perder-se nunca havia sido tão vantajoso. Um alto investimento no vazio das trapaças do amor. Desvio de expectativas. Negociata sobre meus sentimentos. Armadilha do destino.

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