Vestígios

Eu aprendi que o amor é uma das coisas mais fortes que se pode sentir.

Lembro disso todos os dias porque você ainda parece estar aqui. Mas, é só um dos vários vestígios que um dia existiram.

Quando ela diz que me ama, cada parte do meu eu faz um grande esforço para esquecer que você já disse o mesmo.

Quando ela diz que seremos infinitos, isso sempre soa como algo que me dá medo. Porque você sempre disse o mesmo.

Você sempre disse que eu era único, que enxergava galáxias nos meus olhos e que eu era o teu lar. E então, você viajou para outra galáxia e decidiu ser nômade.

Ela não sabe de você. Eu pedi que todos a minha volta te esquecessem.

De alguma forma, gosto de fingir que essa é a primeira vez. Gosto de fingir que minha insegurança é natural quando na verdade ela é vestígio seu.

Ela diz que jamais vai embora. E isso sempre me lembra o dia em que recebi aquele telefonema comprovando o quanto você era boa em sustentar mentiras.

Toda a sexta-feira a noite, eu lembro de quando estive perto de me perder. E do quanto de lá pra cá comecei a me achar desmerecedor da minha própria felicidade.

Eu digo que a amo mais. E mesmo que algumas vezes ela negue, essa é verdade. Porque desde que você se foi, ela pintou amor sobre cada parte do meu corpo. E sempre que a digo que acabará indo embora, nada mais é do que um pedido para que fique.

Para que faça-me dançar novamente.

Para que faça-me gritar o quanto estou vivo.

Para que lembre-me o quanto o amor é feito de coragem.

Sempre que ela diz que está comigo, não sinto angústia ou medo. Porque você, apesar das circunstâncias, jamais esteve.

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