Transição III
Meio a Meio, Inseguranças, redescobertas e afins

Primeira coisa que eu queria escrever sobre o assunto: EU ESTOU MAL e olha, bem mais do que poderia imaginar e/ou pensei que era possível.
(antes de continuar que deixar um parênteses bem esclarecido, assim como qualquer outro ser humano presente nesse planeta, esse texto trata apenas de um pequeno recorte da complexidade do indivíduo e, que meus sentimentos e inquietações não se resumem somente ao assunto estética)
Transição é difícil e, olha quando te avisam que é: potencializa x1000. Eu já estava preparada, aprendi ao longo dos anos me aceitar, que tá tudo bem andar por aí com o brinco de pônei cor-de-rosa e, que sim, podem te julgar, mas, né aquela velha história SOU+EU. Transição??? Ahhhh fichinha, o que pode ser mais difícil do que entender todo esse processo de aceitação na adolescência, sendo que você é uma jovem adulta, que se considera emponderada, desconstruída, debate contra os padrões, feminista e afins? HA nada vai me abalar… até que você é apresentada ao cabelo de duas texturas…
O que seria isso? Simples! Sua raiz crescendo cacheada e o resto do cabelo liso e, assim mesmo com toda a criatividade do mundo chega um momento que o seu escudo é o coque e você fica com a cara no sol, na chuva, no vento e na lua com o rosto todo exposto e olha cansa, a insegurança aumenta em um nível que eu nem sei se conseguiria ou que acreditaria que estaria liberta de tal mal chamado: aceitação
E, isso me revoltou em um nível que não pode ser medido: me desconstrui aprendendo há não me importar mais com comentário, olhares tortos ou julgamento alheio, mas o que fazer quando ao invés de outra pessoa o olhar reprovante é o seu? Agora o que mais me choca nessa revelação inteira é como apenas um dos elementos que me compõe, meu cabelo pode me afetar tanto, sendo que eu continuo, por exemplo, com minhas makes como fiéis escudeiras…Infelizmente, mais uma vez me deparei com a insegurança, éramos inimigas, agora não nos amamos, mas estamos nos relevando…
Ao mesmo tempo, (vamos botar mais positividade, aí #goodvibes) fico feliz ao ver que o meu crescimento está acontecendo, estamos nos 5 dedos de cabelos naturais (e crescendo!), um entusiasmo para saber como vai ficar, obsessão por cabelos cacheados, observar pela rua e imaginar será que o meu vai ficar assim? (comentário off: como é bonito ver que cada vez mais observamos cacheadas e crespas por aí!!!) e se preparar para em breve ter um novo visual.
Nos momentos que vocês está mais preparada, com escudo e cheia de proteção com kit anti-queda, capacete e, pensa que nada pode acontecer… é aí que você recebe a famosa rasteira, mas nada como se levantar e começar tudo novamente
(pode parecer texto motivacional, mas é apenas é uma auto afirmação pensando que tudo vai dar certo. Amém? Amém)
Isso é um exemplo da minha vivência, mas pode ser aplicado à diversos casos, a moral da história de hoje é: não faça de você seu inimigo, a sociedade em geral já não é uma coisinha fácil de lidar, né non? (aff seres humanos) além dela você vai se sabotar? Nessa disputa só há uma possibilidade possível: você sai perdendo.
