Chega de deixar pra lá.

Recentemente eu cortei meu cabelo um pouco mais curto que de costume. Pra mim, foi uma grande mudança. Eu, que definitivamente sou uma pessoa insegura e que costumo pedir dez opiniões antes de tomar qualquer decisão na vida, pensei: “vou cortar meu cabelo”. Liguei, marquei, fui. Sem falar com ninguém, sem perguntar o que ninguém achava.

Cheguei no salão e falei: corta. O cabeleireiro deu algumas sugestões de como cortar, nós chegamos a um consenso e em 5 minutos estava pronto. Não deu tempo nem de sofrer por ter cortado o cabelo que eu mantinha longo há anos. Eu me olhei no espelho e me senti renovada. Como se depois de muito tempo, eu tivesse me reencontrado.

Foi a melhor coisa que fiz por mim (e só por mim) em muito tempo. Saí me sentindo leve. Sim, aquele corte de cabelo me fez sentir ótima. E eu estava precisando me sentir ótima.

Os dias seguintes foram excelentes. Várias pessoas comentaram como havia ficado legal, ou moderno, ou que tinha combinado comigo. Eu me senti bem comigo mesma, o que há muito tempo não acontecia. Não pelos elogios ao meu (nem tão moderno, nem tão curto) novo corte de cabelo, mas por mim. Eu estava satisfeita e bem com aquilo.

O problema começou quando, depois eu dizer, em uma conversa com alguns amigos e colegas, que estava adorando a facilidade que era cuidar de um cabelo curto, e que estava pensando seriamente em cortar mais curto da próxima vez, ter que ouvir um: “ah, não, nesse comprimento tá bom, não corta mais, vai ficar feio”.

Não foi minha irmã, minha mãe, ou alguma amiga íntima que me disse isso. Foi uma pessoa aleatória, pra quem eu nunca dei nenhuma liberdade. Nos dias seguintes, ouvi o mesmo comentário mais um vez (mais enfatizado) da mesma pessoa. E, na semana seguinte, ouvi um “preferia comprido, assim ficou meio estranho”, de novo, de alguém que eu não tenho intimidade nenhuma. A chave de ouro pra fechar a semana foi ouvir que(novamente, de uma pessoa que eu conheço, mas que não tenho a mínima intimidade: “cabelo curto não combina com qualquer mulher, seu rosto é meio redondo, longo ficava melhor”.

Aqueles comentários me atingiram. Eu sei, não deveria me deixar abalar por comentários negativos, de pessoas aleatórias, que não tem liberdade nenhuma pra dar palpite sobre a minha vida. Mas, eles me atingiram. A questão que ficou na minha cabeça é: porque três pessoas acharam que era válido(e aceitável) criticar meu cabelo, mesmo que a intenção delas fosse a melhor do mundo? Qual o resultado positivo que aquilo teria na minha vida, na vida delas, ou no universo em geral?

Elas deram a opinião negativa delas sobre uma coisa pessoal, me atingiram, e seguiram com a vida, sem nem por um segundo pensarem: “nossa, aquele comentário que eu fiz foi completamente desnecessário, não causou nenhum bem no mundo, eu deveria pensar melhor antes de falar”.

Elas realmente acharam que o cometário, absolutamente desnecessário, era algo que devia ser exposto? Que elas tinham que expressar aquela opinião negativa sobre a MINHA vida ou o modo como EU aparento? Qual o sentindo de fazer um comentário negativo, só pelo simples prazer de expor o que está na sua mente?

Eu sou uma pessoa que faz elogios. Se, por algum motivo, algo em você me chamar a atenção e eu gostar, seja sua camiseta, seu corte de cabelo, seu perfume, a cor do seu batom, ou a sua sobrancelha, eu vou elogiar. Acho importante expressar que eu pensei: “Nossa, que coisa bonita/legal/cheirosa que você escolheu/ tem/é. Isso me chamou a atenção positivamente. Acho que você deveria saber disso”.

Mas, o que leva uma pessoa a expressar algo negativo sobre outra pessoa, sem objetivo nenhum? Pelo simples fato de: “Não gostei disso, não tem porque eu te dizer isso, mas eu vou dizer mesmo assim, mesmo que isso te magoe, simplesmente para expor a minha negatividade”.

Não acho que elas realmente acreditaram que o que elas disseram ia me “salvar” de “cometer um grande erro de julgamento e cortar o meu cabelo mais curto”. Ou manter curto. Ou seja lá o que fosse. E, me recuso a usar a desculpa de “mas elas falaram sem pensar, sem má intenção”.

Sim, você deveria pensar antes de falar algo que vai magoar/atingir/ser negativo para alguém, principalmente se é uma pessoa que você não tem intimidade para dar opiniões tão pessoais. Nós ficamos justificando (e aceitando) esse tipo de negatividade na vida e está na hora de dizer um basta.

Vamos ser gentis uns com os outros. O mundo precisa de mais gentileza. Vamos pensar nas consequências das opiniões que damos. Vamos expor mais amor, mais simpatia e menos inconveniência.

Mas, está na hora também de aprendermos a nos defendermos. Não de sorrir constrangidamente e fingir que não ouviu o comentário ácido e desnecessário. Mas de dizer: a vida é minha, o cabelo é meu, e eu não vou permitir que o seu comentário negativo e completamente rude me atinja. Você deveria pensar antes de falar e guardar sua opinião nociva pra você mesmo.

Chega de sorrisos constrangidos, chega de deixar pra lá.