Como é seu tipo?

Eu acordei gripada. Apesar da minha eterna falta de conhecimento sobre a diferença entre gripe e resfriado, vamos chamar de gripe pelo simples fato de eu estar com preguiça de descobrir a diferença.

É uma daquelas vezes que você fica com dor de cabeça, nariz escorrendo, garganta doendo e febre, que faz você querer dormir o dia inteiro, mas que as responsabilidades da vida fazem a gente ter que ir cumprir os compromissos do dia, mesmo querendo se enterrar embaixo das cobertas, tomar um leite com toddy bem quente e ficar o dia todo alternando entre ver tv e dormir.

Ontem almocei com uma amiga e nós estávamos falando sobre ter um tipo. Eu tenho um tipo, sempre tive. Na minha cabeça, existe um tipo específico de pessoa, com características específicas, que me atraem. E, por mais que eu não queria ter um tipo, não adianta. Toda vez que eu conheço alguém que é meu tipo, mesmo sem saber direito se a pessoa é meu tipo ou não, eu apaixono. Não paixão de verdade, mas aquele sentimento de conhecer o cara na balada e cinco minutos depois virar pra amiga e dizer: Miga, apaixonei, haha.

O problema é que eu realmente acabo perdendo oportunidades de conhecer pessoas incríveis pelo simples fato de: eu tenho um tipo.

Todo mundo tem aquelas características que coloca na cabeça como essências para considerar ter um relacionamento com alguém. E eu não tô falando daquelas coisas pra definir se beijaria ou não. Mas aquelas que fazem a gente pensar se poderia ou não ter algo real com a pessoa.

Gostar das mesmas séries, dos mesmo bares, do mesmo tipo de música, ter a mesma ideia sobre política, uma faixa etária específica, gostar de cachorros ou de gatos, saber cozinhar, beber cerveja. Seja qual for sua lista de características, ela existe, e você fica fazendo aquele checklist na cabeça.

Ultimamente eu tenho tentado desconstruir essa ideia da minha cabeça. Apagar essa lista sem sentido que faz a gente ficar justificando os erros da pessoa pelo simples fato de “mas ele é perfeito pra mim”.

É hora de abandonarmos esses padrões desnecessários e focarmos em outras coisas . É hora da gente começar a se apaixonar por quem vai te levar um leite com toddy no sofá, colocar sua série favorita e ficar te fazendo companhia, mesmo você com o nariz escorrendo, cara de febre, tossindo a alma pra fora. Alguém que vai segurar seu cabelo se você passar mal, e vai ligar pra própria mãe perguntando o que pode fazer pra te ajudar.

É hora da gente começar a se apaixonar por alguém que, mesmo se não gostar das mesmas músicas que você, vai te acompanhar nos shows e curtir, dançar e ficar feliz de te ver feliz. Alguém que vá te emprestar os sapatos quando você estiver sofrendo de salto alto na balada, mesmo depois dele ter te avisado que você não ia aguentar aquele sapato. Alguém que vai te acompanhar descalço até o carro, carregando a sua bolsa, e ainda te achando linda, mesmo com a maquiagem toda escorrida de suar de tanto dançar.

É hora da gente começar a se apaixonar por alguém que vai bater papo com o seu pai, ir no jantar da família e te levar pra passear na casa da prima da tia da mãe dele, mas te entender se você não quiser ir. Alguém que não vai te criticar por você tirar todas as azeitonas da salada e lembrar que você não gosta de ketchup no lanche.

Já tá na hora da gente se apaixonar por alguém que vai querer ser amigo dos seus amigos, e não alguém que vai ter ciúmes deles. Alguém que vai fazer todo o esforço do mundo pra te ver feliz. Alguém que vai ir no cinema toda semana com você, mesmo odiando a sala lotada, o som alto, e o ar-condicionado, só porque você adora.

Passou da hora da gente começar a se apaixonar por quem vai ligar pra saber como foi seu dia, e que vai te escutar surtando sobre The Walking Dead, mesmo sem nunca ter visto um único episódio.

Chegou a hora de se apaixonar por alguém que não vai ligar de correr o risco de pegar sua gripe, alguém que vai te abraçar e ficar do seu lado mesmo com você suando frio.

Todo mundo tem um tipo. Aquelas exigências que não fazem sentido, mas que você fica analisando. Alguém que leu os mesmo livros que você, que gosta de comida japonesa, que gosta de crianças e lê sobre política internacional. Vamos parar com essas limitações. Vamos parar de ter um tipo. É hora de abrir os olhos e o coração. O amor é o melhor tipo. Você só precisa dar uma chance.