O fim das Olimpíadas e a crise dos 30 (aos 25)

Acabaram as Olimpíadas. Como uma boa pessoa que não entende (e não gosta) nem um pouco de esportes, as Olimpíadas são aquele momento único(de quatro em quatro anos) onde eu tenho paciência (e interesse) em assistir um evento esportivo. Sério, nem a Copa do Mundo eu faço questão, mas nas Olimpíadas é diferente.

Eu e minha irmã sentamos na frente da TV (e acho que como todos os mortais) nos encantamos, torcemos e vibramos. Debatemos, choramos, gritamos, vendo um esporte atrás do outro, discutindo detalhes que eu não faço nem ideia do que significam hoje. É uma emoção indescritível, uma vontade louca de abraçar aquele atleta que chora silenciosamente ao perder a tão esperada chance de ser campeão.

Mas, mesmo entre toda a torcida, toda a emoção, sendo eu uma pessoa que tem mais crises existenciais por dia que o total de pares de sapato no guarda-roupa, sempre vem aquilo de: eu nunca conseguiria ter essa força de vontade. Imagina, dedicar sua vida toda a um objetivo. Olha, essa pessoa super fisicamente preparada e eu aqui, assistindo as coisas incríveis que o corpo humano pode fazer deitada no sofá comendo Doritos.

Mas, como tudo que é bom tem prazo de duração, ontem foi o fim das Olimpíadas no Brasil e, com a entrada SENSACIONAL do primeiro ministro do Japão, fantasiado de Mario, logo chegou aquela sensação de: nas próximas eu vou assistir ao vivo, em TÓQUIO.

Logo que a ideia surgiu na minha cabeça (e acho que na cabeça de quase todo mundo), veio o choque de realidade. A lembrança de uma eu quatro anos mais nova, assistindo ao final das Olimpíadas de Londres pela TV e pensando: na do Brasil eu vou. Vai ser a chance mais fácil da minha vida de ir. Vão ser aqui, as passagens vão ser muito mais fáceis de comprar do que se fossem em outro país, com certeza aos meus 25 anos minha vida vai estar resolvida o bastante pra eu ter condições de ir. Nas próximas Olimpíadas eu vou, no RIO.

Os anos passaram e eu não estava com a vida resolvida o bastante pra conseguir ir nas Olimpíadas do Rio. Não estou com a vida resolvida o bastante pra ir pra lugar nenhum, na verdade. Na próximas Olimpíadas eu vou ter 30 anos (meu aniversário é daqui uns dias, então, com o começo de setembro os 26 vão chegar com toda a pressão de “ agora você está mais próxima dos 30 que está dos 20”). Então, nas Olimpíadas de Tóquio eu vou estar com os 30 batendo na porta, entrando na sala e sentando no sofá.

Com esse pensamento, veio o desespero: como assim eu vou ter 30? Eu não sou adulta o bastante pra isso. Será que em quatro anos a vida muda tanto? Quatro anos não é tempo o bastante pra eu ter casa, carro, emprego dos sonhos, corpo perfeito, amor da vida (ou solteirice bem resolvida) e passaporte carimbado.

Mas, quem foi que disse que eu tenho que estar com a vida resolvida aos 30? Eu disse? Alguém me disse? A sociedade como um todo disse? A pressão existe mesmo ou é uma pressão que nós colocamos sobre nós mesmos?

Tá, vamos ser realistas, a pressão existe. Com Facebook e Instagram então? A pressão existe e em doses doloridas diárias. Mas, talvez, com toda essa ilusão de que a vida de todo mundo é perfeita e incrível, com todos os filtros do Instagram, com a obsessão em ser feliz o tempo todo, saudável o tempo todo, se divertindo o tempo todo, a gente esqueça que a vida real não é assim.

Aquele atleta treinou anos, horas e horas por dia, pra chegar ali. E mesmo assim, só existe um campeão, uma medalha de ouro. Isso não quer dizer que todos os outros atletas que trabalharam tanto, dedicaram a vida em vão. Talvez a vida não seja uma questão de ter tudo perfeito, mas seja a respeito de esforço. De fazer o seu melhor, independente do que isso signifique. E não tem problema se um dia ou outro( ou muitos), o seu melhor seja conseguir levantar da cama e encarar o dia.

Talvez eu vá para as Olimpíadas em Tóquio, talvez não. E talvez o maior desafio seja parar de temer o futuro.