Mudei de Carreira, e Agora? Como Reposicionar a minha Marca Pessoal

A mudança na direção da carreira, seja ela sutil ou brusca é assustadora para muitos de nós. Isso porque fomos educados para sermos fiéis profissionalmente: Escolha bem a sua faculdade, porque você vai passar a sua vida exercendo essa profissão!

A mudança pode parecer a ruptura dessa promessa, o desapontamento daqueles que apostaram em nós e é, muitas vezes, feita quase como um pedido de desculpas. Esse recomeço pode ainda ser visto como fracasso: ah, ela não deu muito certo na outra área…

E pode desesperar muitos de nós com a ideia de que teremos que jogar tudo pra trás fora e recomeçar do zero.

Sim, é necessário um investimento de tempo, energia e vontade para o redirecionamento da sua jornada. Mas, de maneira nenhuma, ela deveria ser vista com o peso que hoje é atrelado.

Seja porque o que você fazia não faz mais sentido ou porque, na sua opinião, a sua indústria não tem grandes perspectivas, você deve seguir o que acredita ser o melhor daqui pra frente.

A mudança no mundo atual é o status quo. Por isso, é preciso que ela não seja vista como uma grande vilã ou como o fim do mundo. E sim como parte fundamental da nossa jornada.

Mudaremos de profissões, empresas ou lugares frequentemente. Cada vez mais rápido. E para nos adaptarmos e sobrevivermos à era da tecnologia e informação, é preciso saber transitar. De preferência, com consciência, otimismo e fluidez.

Então você também resolveu, de forma consciente e otimista, alterar sua atividade profissional? Ótimo!

Como então posicionar-se e comunicar a sua marca pessoal nessa nova área e, então, construir a sua reputação e relevância nesse novo contexto?

Não sei se vocês sabem, mas esse é um assunto com o qual sou bem familiar: eu que já me reposicionei e construí minha reputação no mercado duas vezes, em duas áreas bem distintas. Por isso, eu escrevo esse texto para compartilhar meus aprendizados.

Tipos de transição e habilidades necessárias

O tipo de transição terá grande impacto na forma e no tempo de construção de um novo reposicionamento.

Algumas pessoas estão procurando trocar de funções dentro de um mesmo contexto, escolhendo uma área mais específica como, por exemplo, de consultor de marketing digital para redator freelancer.

Outras fizeram a transição para áreas conectadas dentro de uma empresa, como de gerente de marketing a gestor de produto.

E outros querem mudar de direção completamente.

Assim como eu fiz, duas vezes. De farmacêutica para empreendedora/gestora de comunicação na área de inovação e desta última para estrategista em Personal Branding.

Em quaisquer dessas transições será preciso adquirir um conjunto de novas habilidades ou conhecimento, em maior ou menor grau. O que muda é a proporção de quais dessas habilidades são transferíveis da antiga atividade e quais delas são completamente novas.

No meu caso, a primeira transição foi a mais brusca delas. Mais de 80% das habilidades necessárias para ser empreendedora e atuar na área de comunicação provavelmente eram novas. Ou seja, foi preciso grande investimento de tempo, energia (e a construção da minha autoconfiança), para que eu pudesse ser então referenciada como alguém de relevância naquele contexto.

Na segunda transição, de empreendedora/gestora de comunicação na área de inovação para estrategista em Personal Branding, posso dizer que 50% das habilidades necessárias para a nova atividade foram adquiridas e 50% delas transferidas da minha prévia atuação.

A construção da minha reputação na nova área foi, de certa forma, menos árdua que a primeira. E vale ressaltar que não apenas por aplicar mais habilidades e conhecimentos transferíveis do passado, mas também por outros três fatores: a minha maturidade no mercado de trabalho, a sensibilização de uma rede de contatos já bem construída na posição anterior e pelo fato de essa nova área ser justamente o Personal Branding, uma lógica fundamental para a valorização de quem você é, independente de onde está. Lógica que apliquei para mim, colhi resultados, para então desenvolver método e aplicar para centenas de pessoas pelos cursos ou consultorias.

Sendo assim, avalie qual o tipo de transição está fazendo no momento e mapeie o que de novo será necessário para essa nova jornada e o que pode ser aproveitado e valorizado da sua atuação até o momento atual: conhecimento, redes, aprendizados, história e habilidades, seja no aspecto profissional ou pessoal. Às vezes aquilo que fazemos por hobby ou como ajuda a amigos, por exemplo, pode ser “profissionalizado” ou otimizado para aplicação profissional.

Amplie a sua perspectiva sobre si mesmo

É comum que em um momento de recomeço profissional nós possamos nos sentir desmotivados (tenho que reconstruir tudo de novo), perdidos (por onde eu começo?), desvalorizados (eu não tenho nada a adicionar nessa área) ou mesmo ansiosos (preciso fazer isso tudo agora pra ser relevante amanhã!).

Eu já senti todas essas sensações em algum momento durante as minhas transições. E o que eu posso afirmar é que precisamos desconstruir todas elas, porque elas não fazem sentido ou, ao menos, não te ajudam em nada.

Você não se sentirá dessa forma se você praticar ampliar a perspectiva sobre quem você é e sobre o que você tem a oferecer para as outras pessoas, independente do nome formal ou da atividade específica determinada pelo mercado.

Esse foi o meu principal aprendizado com o branding pessoal: você tem muito valor (seja um conhecimento, habilidade, história, personalidade ou energia), independente de onde está. E esse valor pode ser oferecido por diferentes veículos (um cargo, uma profissão, uma atividade liberal…).

Se o veículo muda, você não perde o seu valor. Você apenas precisa encontrar um novo para poder novamente distribuir tudo aquilo de melhor que possui.

Hoje eu entendo que a forma como eu quero mudar o ambiente ao redor, com o que eu tenho de melhor, para chegar aonde eu quero chegar é como estrategista em posicionamento e comunicação de marcas pessoais. E mesmo que essa atividade não dure mais 5 anos, eu entendo que isso é apenas o veículo atual do que eu tenho de mais sólido: a minha marca pessoal e o conjunto de tudo que faz parte dela.

Por isso, hoje vejo transições de maneira muito mais natural, otimista, necessária e fluida do que o mercado. E se eu escrevo esse texto, é porque também quero que você veja assim.

Você tem muito valor e você não está começando do zero. Por isso, valorize-se, otimize o que você tem em mão, confie em si mesmo e tenha paciência para o alcance de novas conquistas, porque elas virão.

Um novo currículo

A ideia de ter uma página em branco é desestabilizadora. Se eu não tenho nenhuma experiência nessa nova área, o que eu coloco no meu Linkedin ou no meu currículo?

A maioria de nós foi ensinada a valorizar cargos e posições anteriores e a pontuar cronologicamente tudo o que foi feito até então. Períodos sabáticos ou atividades distoantes eram abominados e deveríamos sempre ter uma boa justificativa para eles (isso se eles já não tiverem sido deletados das nossas mentes e do papel).

Entretanto, é preciso uma nova lógica para esse cenário de constantes alternâncias. É preciso ampliar a perspectiva sobre tudo o que você já fez e já viveu até então, e de que forma isso é útil ou faz sentido para a nova atividade.

Liste habilidades e conhecimentos que foram praticados em outras áreas e que são transferíveis para a nova. Conte o que já conquistou com elas. Compartilhe o que você acredita, o que tem como objetivos e o porquê essa mudança faz sentido pra você e fará sentido para quem trabalhar com você.

O que muitas vezes não percebemos é o quanto a perspectiva de alguém que não está inserido no mesmo contexto há anos, pode ser importante. É a multidisciplinaridade e a conexão de diferentes repertórios que trazem a inovação. Por isso, você tem muitas chances de traçar um caminho diferente dos demais.

Foi o que aconteceu comigo. E se hoje eu recebo muitos feedbacks sobre como a minha abordagem no tema ou os meus cursos são diferentes de tudo o que já viram, é porque ela foi criada na prática com tudo o que eu absorvi de vivência. E não apenas do que o mercado já determinou.

O mais importante, é entender: o mercado tem esse problema, de que forma tudo o que eu tenho em mãos hoje pode ajudar a resolvê-lo?

As suas diferentes atuações, testes e mudanças trazem repertório para o seu próximo passo. E o entendimento sobre o que você gosta ou não gosta, quer ou não quer, tem maior ou menor potencial, é maior. E, como consequência, as escolhas dos seus próximos passos podem ser mais assertivas.

Além disso, talvez parte do seu diferencial competitivo possa vir justamente do seu passado.

No meu caso, o fato de eu ter trabalhado anos na área de inovação e ter participado de centenas de pitchs (apresentações de empreendedores e suas startups para conquista de investimento) e criado alguns deles também, me permitiu a prática da clareza, da relevância e da síntese na comunicação, além de ter um olhar não tradicional sobre novos modelos de trabalho e de vida, por exemplo.

E comunicação clara e diferenciação no mercado são pontos fundamentais buscados pelos meus clientes para a estratégia de gestão de marca pessoal.

Viu como o nosso passado pode ser valorizado?

Uma nova mentalidade

Comporte-se como alguém que já está em uma nova posição.

Temos a tendência de nos agarrarmos ao status de quem fomos para provar que somos alguém importante. Isso porque ser um iniciante, após anos sendo um veterano, pode ser desconfortável.

Entretanto, se você quer atrair oportunidades para a sua nova atividade, é preciso direcionar a sua atenção (e o da outra pessoa) para a nova atuação.

Não comece o seu discurso com “ah eu sou um ex-alguma coisa, mas agora eu quero…”

Isso porque nesse caso você reforçou nesse curto discurso foram duas palavras que não precisariam de tanta atenção: “ex” e o “mas”.

O “ex” demonstra que você ainda está pensando na sua antiga atuação e o “mas” reforça o aspecto negativo dessa transição.

Em vez disso, fale: eu sou um novo atuante na área X, eu tenho como objetivo Y, atuei muitos anos na área Z, por isso tenho essas tais habilidades ou consegui aproveitar esse tal conhecimento. E estou animado com essa perspectiva, porque tenho esse desejo W.

Quando começamos a projetar nossos desejos e otimismo em nossos discursos, temos muito mais chance de atrairmos o que buscamos, seja porque enxergamos melhor as oportunidades, seja porque as pessoas ao nosso redor confiam mais em nós e a que viemos ou mesmo porque estão mais propensas a nos ajudar.

Sendo assim, chame a atenção para aquilo que realmente queremos atrair. Chamar a atenção para o passado ou ter um comportamento não confiante não vai te ajudar.

Construa novas relações na área

Uma transição na carreira exige um mergulho em um novo contexto.

E esse mergulho pode ser feito com estudos e também com o convívio com profissionais e experts na área.

Vá a eventos, conheça novas pessoas, converse com quem está no mercado, entenda como esse mercado funciona, peça recomendações ou dicas, seja de lugares a ir ou de bibliografia para ler. Essa imersão pode te dar um impulso inicial importante.

Entretanto, o que eu sempre reforço é: não esqueça o que você já construiu

Muitas vezes não precisamos de mais contatos, mas sim de sensibilizar a nossa rede em torno da nossa nova missão.

Isso porque entre eles a nossa reputação já está consolidada e eles já estão familiarizados com quem nós somos ou a forma como trabalhamos.

Por isso, há uma predisposição para que eles confiem em nós, independente de qual é a nova atividade.

Os primeiros alunos dos meus cursos ou mesmo os primeiros convites para palestras vieram da minha rede da inovação. Ou seja, eles acompanharam a minha transição, observaram meus resultados e, por terem maior proximidade e familiaridade comigo, confiaram em mim na minha mais recente área de atuação.

Por isso, é importante valorizar o que temos em mãos agora e o que já fizemos para nos dar mais impulso e velocidade para os próximos passos.

Compartilhe conhecimento

É dessa forma que conseguimos expor o que há em nossas mentes e temos mais oportunidades de fazer com que as pessoas se conectem conosco, nos acompanhem e nos valorizem pelo que sabemos e não apenas por nossas conquistas.

Mas se eu estou em uma nova área, o que devo compartilhar?

O seu aprendizado no momento, os seus estudos, suas perspectivas, observações ou a conexão de pontos entre um novo conhecimento e aquele que você já possui.

Quando eu comecei na área, uma forma de absorver e praticar o conhecimento que eu estava adquirindo foi escrevendo no meu blog. Esse era um compromisso muito maior do que apenas ler sobre o tema. Já que para escrever algo, você precisa compreender suficiente o tema para que consiga explicar com clareza o que está na sua mente.

Além do benefício do compromisso e velocidade de aprendizado, compartilhar conhecimento é uma forma de você oferecer seu valor ao mercado e, com o tempo, obter reconhecimento por isso.

É uma forma de sensibilizar a sua rede em torno de um novo contexto de atuação, mostrar o quanto está engajado com esse objetivo, de ajudar outras pessoas com o que você sabe e de se posicionar online (e no rankeamento do Google) como referência sobre o assunto ao longo do tempo

Foi o que eu fiz, ao começar a escrever no blog 3 anos atrás.

E hoje posso dizer que assim eu facilitei muito a escolha por mim (e também de ser encontrada) pelos meus clientes.

Confie em você e tenha paciência

A experiência na nova área, os cases, as conquistas, os depoimentos e a maior certeza sobre o caminho vem com o tempo.

Por isso tenha paciência e confie na sua habilidade de ser e fazer o que você se propuser a fazer. Errar durante o caminho, mudar de direção ou mesmo sentir-se perdido fazem parte da nossa jornada.

Por isso, abrace-as em vez de se condenar. E vá em frente, com otimismo e confiança em você.

Porque, como disse Bob Dylan: “Não existe nada tão estável como a mudança”

E é preciso que saibamos como aproveitá-la para conquistar aquilo que queremos conquistar em nossas vidas.

Juliana Saldanha — Estrategista em Personal Branding. Criadora do Método Go-to person. Tenho como objetivo te ajudar a posicionar e a comunicar melhor o seu valor para o mercado. Cada marca pessoal é única, porque não valorizá-la?

Mais textos sobre o assunto? julianasaldanha.com.br

Quer conversar mais sobre Personal Branding? Marque um papo online comigo aqui.