Porque empreendedores DEVEM “perder o seu tempo” na gestão de marca pessoal

* Artigo publicado por mim originalmente para o site do PBEX — evento inédito sobre Personal Branding no Brasil que acontece em Novembro.

Invariavelmente leio muitos artigos sobre Personal Branding. Esse é um tema relativamente recente que surgiu após a publicação do artigo de Tom Peters em 1997.

Você se tornar o CEO de si mesmo então se tornou algo valorizado por muitos empreendedores como a chave para o reconhecimento. Muitos desses artigos que leio fazem referência ao mercado americano e, por isso, comentam também sobre a saturação do discurso e da prática do Personal Branding (acredito que seja o mesmo que estamos passando com o termo Coaching).

Qual seria então o real valor para empreendedores se preocuparem em serem CEO de si mesmos? Será que faz sentido sendo que o foco do empreendedor é o fazer pela sua empresa e não se promover?

Em um primeiro momento, como empreendedora, concordaria em gênero, número e grau com o que a Beatriz Ramos diz em seu texto Why Entrepreneurs Shouldn’t Waste Time on Personal Branding. Beatriz faz uma comparação entre empreendedores e artistas: ambos estão criando algo do nada. Seja ela uma empresa ou sua arte, eles conseguem enxergar possibilidades que outros não veem e perseveram sem descanso até que essas oportunidades se tornem reais. Beatriz então pontua que empreendedores devem focar na entrega de valor a seus clientes e não em se promover por meio dos canais digitais, escrevendo ebooks, dando palestras ou publicando sua opinião no Twitter. Diz, ainda, que por mais bem intencionado que o Personal Branding possa ser, a autenticidade das pessoas não poderia ser traduzida por meio de marcas, o que se tornaria algo manipulativo e não espontâneo.

O texto provoca uma reflexão sobre o que de fato é o Personal Branding e o quanto devemos nos preocupar e investir em nós mesmos como marcas.

Acho textos provocativos interessantes, mas acredito que tudo é um balanço.

Apesar de concordar como o fato de que o foco do empreendedor deva ser o seu esforço na empresa e em entregar valor aos seus clientes, também acredito que este deva cumprir suas próprias promessas como líder, seja com os seus funcionários ou com o público externo.

E é exatamente disso que se trata o Personal Branding: cumprir promessas de acordo com a sua essência, como quem você é e não com que você diz que é. Como consequência, é a conquista de credibilidade e reputação por aqueles se relacionam de alguma forma com você.

Ações citadas no texto e criticadas como superficiais como “criar um blog, comentar em artigos relevantes, estar presente em eventos, postar várias vezes ao dia no Twitter” não deveriam ser levadas sinônimo do termo. A gestão de marca pessoal não se trata de conquistar visibilidade online e ter a gestão de mídias sociais como full time job do empreendedor.

As ações citadas podem ou não ser aplicadas como parte da estratégia da comunicação da sua marca pessoal, mas não necessariamente deve ser algo mecânico ou similar pra todo mundo. É algo que pode ser direcionado durante a gestão de marca pessoal e pode ser executado como parte da estratégia de marketing pessoal. Mas, novamente, ela não deve ser a base para a vida do empreendedor.

PARECER E APARECER e não SER E FAZER é o maior erro que se pode cometer e que arruína a credibilidade de qualquer empresa (vide nossa indignação com várias marcas atualmente e suas promessas vazias), assim como a de qualquer pessoa/profissional.

Já escrevi no meu blog um artigo sobre a marca pessoal e reputação do Guga. O foco dele não era estar na mídia, mas sim cuidar da sua marca pessoal garantindo o cumprimento de promessas do que ele se propôs a fazer (jogar tênis) e tomando atitudes frente ao público que sempre correspondessem aos seus valores pessoais. Será que ele não foi/é autêntico? Será que ele não deveria ter cuidado de sua marca como o fez?

Todas as relações, inclusive as comerciais, são cada vez mais humanizadas. Ter um líder que está à frente de sua empresa e que possui uma marca pessoal forte (o que não é sinônimo de barulhenta) é algo que, na minha opinião, deve ser valorizado e abre muitas portas para o empreendedor.

E, não, a gestão da sua marca pessoal não é uma receita de bolo. E vai muito além da sua presença online.

A single golf clap? Or a long standing ovation?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.