físicas de lei medo
O medo de deixar a vida passar como um flash diante dos meus olhos vale 11 em uma escala de 1 a 10. Viver no piloto automático como um robô comandado por um sistema operacional que me ordena acordar, respirar, dormir. Sem espaço para prazeres carnais ou espirituais. Tolerando qualquer ordem. Impotente. Sem força para quebrar as correntes, emergir do asfalto. Presa em mim mesma. Andando na linha e sendo punida ao ultrapassá-la.
Quero eu ter asas para voar quilômetros. Asas delicadas e estruturadas e sensíveis de uma borboleta. Asas de metros de comprimento de um condor. Voar até meus ninhos nos altos dos alpes. Migrar de um hemisfério a outro. Quero me derreter em um oceano, juntar-me na sua imensidão e criar corais em minhas praias. Quero me explodir em cores no céu, tornando-me arco íris, afrouxando o medo dos trovões. Quero me expirar e tornar vento, brisa leve acariciando rostos, estrando pelos pulmões, tomando corpos inteiros, sair pelas narinas e voltar a ser brisa. Quero ser um fenômeno natural incompreendido para não ser enquadrada em leis universais.
