
Sobre jogar palavras (e monstros) no lixo!
Aqui na Baobbá a espiritualidade rola solta, a gente conversa dos projetos e estratégias das nossas startups, na mesma reunião que discutimos sobre qual será nossa próxima vivência espiritual.
Temos muita sorte também de trabalhar num ambiente super energizado! Coachs, terapeutas holísticos, instrutores de mindfulness e iogues circulam o tempo todo pelo Hiperespaço — coworking onde estamos hospedados — criando uma espécie de universo paralelo que acolhe nossas ideias de novo mundo, quebra de paradigmas e desconstrução de verdades estagnadas.
Mas tudo sobre espiritualidade é meio novo pra mim, ainda estou conversando e fazendo acordos com minhas crenças, e enquanto observo, assim no meio do dia um grupo de meditação bem ali na sala principal do Hiperespaço, conectados num silêncio interno admirável, vou escutando chamados, batendo um papo com minha consciência, surfando na onda do intuitivo e sutil.
A última que escutei, já não sei de quem, nem se li, vi ou senti, ah não importa, foi sobre o poder das palavras não auspiciosas, palavras que nos atrapalham, nos tiram do eixo (confesso que dei uma googada sobre auspicioso :/).
Como quase tudo que ouço por aqui me desperta um sentimento de dejavu, tipo uma sensação de que já sabia daquilo e deixei guardado porque tinha coisas mais importantes para fazer, sabe?! Lembrei da minha avó nos proibindo de falar a palavra ódio, fosse para coisas ou pessoas.
A vovó dizia que quem tem amor e Deus no coração não poderia ter no seu vocabulário a palavra ódio.
Pensa comigo! Se estou num caminho espiritual, desbravando meu eu para me reconectar com o melhor de mim, com minha autenticidade, por que azedar isso com a energia de uma palavra que representa tudo que é o oposto do amor?!
Ai minha gente, se eu pudesse voltar no tempo, diria pra vovó que ela tinha toda razão, essa palavra é muito pesada e nada auspiciosa! Hoje entendo isso e suas broncas…rsrs.
Lembrei também quando meu filho era bem pequeno, começou a falar muito palavrão, daqueles pesados mesmo, e sem nenhum discernimento, claro tinha uns 4 anos só, passei vários apuros! E eu desesperada vendo aquele pitoco de gente falando aquelas palavras tão pesadas, corri atrás de algum livro que me ajudasse.
Acabei encontrando não um livro de psicologia infantil ou auto ajuda, mas um livro lindo para ele, e ele amava histórias.
Era mais ou menos assim: a menininha do livro também gostava de palavrão, mas seus palavrões começaram a se transformar em monstrinhos, e para se livrar deles precisava jogá-los no lixo.
Aha e não é que deu super certo!
Depois de ler a história inúmeras vezes para meu filho (de novo Mãnhê, de novo!…), virou a nossa brincadeira, ou pensando melhor agora talvez aquilo fez realmente sentido para ele.
Ele falava um palavrão e eu dizia: Corre jogar esse palavrão no lixo agora!E ia ele todo feliz se livrar do monstrinho imaginário, daquela palavra pesada… até o dia que todos foram jogados no lixo, não restou nenhum, talvez alguns vai, mas ufa ele entendeu o quanto aquilo era pesado e feio!
Bora se livrar de algumas palavras mostrinhos também?!
Saí pelo Baobbá perguntado para o time sobre suas próprias palavras não auspiciosas, dá uma olhada e me diz: qual é a sua?!
Henrique Katahira:
“Tenho muito cuidado com palavras… Acho que elas são muito poderosas.Uma vez me falaram que o cérebro não consegue processar o não… Se eu falar pra vc NÃO pensar num macaco de chapéu verde e gravata borboleta amarela, vc não vai conseguir não pensar. Então sempre que mentalizo algo, evito usar o “não”. Em vez de mentalizar ‘Não vou mais tomar refrigerante’, penso em ‘Vou tomar somente bebidas saudáveis’.”
Fabio Novo:
“Obrigado. Porque parece uma obrigação e não um agradecimento.”
Paula Belleza:
“Ju, eu não gosto quando as pessoas dizem que alguma coisa é broxante. Sinto uma coisa muito ruim, como se dalí não se tirasse mais nada, se perdeu todo o entusiasmo, que não tem mais jeito. Uma forma muito negativa de encarar as coisas como se você ficasse com um sentimento ruim sobre aquilo: brava ou decepcionada pelo menos ele estaria dentro de você e poderia mudar aquilo. Quando você diz que é broxante não tá nas suas mãos e soa muito negativo. Entendeu o que eu quis dizer? haha…”
Gustavo Tanaka:
“O medo. A gente se acostumou com o medo. Achamos que o medo é uma coisa normal da nossa existência, mas o medo é uma ilusão, então, muitas vezes a gente fala “estou com medo” de maneira automática, sem pensar o que isso quer dizer. Falar que tem medo te coloca na vibração do medo.”
Fellipe Piccolo:
“Bom, a palavra é medo. Que é uma coisa que deveria servir como alerta pra gente não cair em furada…Virou uma coisa que destrói a nossa força de vontade e impede que a gente se mova pra poder viver com liberdade de escolha. Eu acho que medo é a fonte de altas doenças… Além das habituais… Medo dá gastrite, desgaste físico, dor de garganta… E quanto mais medo… mais medo.”
Juliane Bezerra, com muita muita saudade da vovó, de seu carinho e ensinamentos
Originally published at baobba.com.br on February 9, 2016.